Curiosity encontra terreno estranho em cratera de Marte

Curiosity chegou a um campo de polígonos em Marte, com rochas escuras que intrigam cientistas sobre a história da cratera Gale.

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Imagem de estruturas poligonais em Marte captados pelo rover Curiosity em 21 de junho de 2026. Imagem: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Imagem de estruturas poligonais em Marte captados pelo rover Curiosity em 21 de junho de 2026. Imagem: NASA/JPL-Caltech/MSSS

O rover Curiosity, da NASA, entrou em uma região incomum da cratera Gale, em Marte. O terreno tem cristas em forma de polígonos e rochas escuras cuja origem ainda desafia a equipe da missão.

A descoberta mostra que a paisagem não corresponde ao que as imagens orbitais sugeriam. Do alto, a área parecia lisa e clara. No chão, virou um laboratório natural sobre água antiga, sedimentos e erosão marciana.

Um terreno que enganou a visão orbital

As imagens feitas de órbita indicavam uma unidade geológica clara e relativamente suave. O Curiosity encontrou outra cena ao chegar ao local.

A superfície tinha uma rede extensa de cristas elevadas, com padrões poligonais. A equipe comparou o visual ao topo de uma grande colmeia marciana.

Essas formas chamam atenção porque registram tensões, fraturas e mudanças no solo. Em Marte, padrões assim podem ajudar a reconstruir ambientes antigos.

À medida que o rover avançou, os polígonos ficaram mais erodidos. Essa mudança oferece uma sequência útil para os cientistas.

Por que esses polígonos importam

A equipe pode comparar partes menos desgastadas com áreas mais alteradas. Essa leitura ajuda a entender como o terreno mudou ao longo de bilhões de anos.

A cratera Gale guarda camadas de rochas e sedimentos que funcionam como um arquivo geológico. Cada textura pode indicar uma fase diferente do ambiente marciano.

Os polígonos já apareceram em outras regiões de Marte. Nesta área, a extensão do campo cria uma oportunidade nova para estudar processos de superfície.

Rochas escuras criam outra pergunta

O terreno também contém muitos seixos e blocos escuros. Eles aparecem espalhados sobre a unidade clara, como peças fora do padrão visual da região.

William Farrand, pesquisador sênior do Space Science Institute, afirmou ao Daily Galaxy que a equipe ainda não sabe de onde essas rochas vieram.

A dúvida abre duas possibilidades dentro do material disponível. Elas podem ter relação com a própria história geológica de Marte. Também podem apontar para visitantes externos, como fragmentos vindos de fora do planeta.

Como o Curiosity está investigando

A equipe montou um plano de três sóis (ou três dias marcianos) para analisar o local. O rover usou instrumentos diferentes para cruzar química, textura e forma.

O APXS mede a composição química das rochas. O MAHLI registra imagens próximas, com detalhes que câmeras distantes não conseguem resolver.

“Depois de avançar em direção ao limite superior da unidade clara coberta por polígonos, o plano de sexta-feira incluiu medições APXS e MAHLI de outra crista poligonal e de um bloco escuro”, registrou Farrand.

O ChemCam também disparou pulsos de laser nas cristas e nos blocos escuros. Essa técnica permite analisar elementos químicos a vários metros de distância.

O próximo terreno pode completar a comparação

O Curiosity deve sair do campo claro de polígonos e entrar em uma unidade mais escura e irregular. As imagens orbitais já identificavam essa mudança de terreno.

Essa transição pode revelar se as formações vizinhas surgiram em ambientes diferentes. Cada nova parada ajuda a montar uma linha do tempo mais precisa da cratera Gale.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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