Astrônomos captam explosão cósmica em tempo recorde

Sistema automatizado permitiu observar uma explosão de raios gama em ondas milimétricas apenas 13 minutos após o alerta inicial.

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raios gama supernova
Ilustração de uma explosão de raios gama e supernova alimentada por um magnetar. Imagem: ESO

Astrônomos registraram uma explosão de raios gama em ondas milimétricas e submilimétricas mais rápido do que nunca. O feito ocorreu em 26 de janeiro de 2026, com os radiotelescópios do Submillimeter Array, localizados no Maunakea, Havaí.

O avanço, publicado no The Astrophysical Journal Letters, é importante porque essas explosões perdem brilho em pouco tempo. Capturar seus primeiros minutos ajuda a entender jatos cósmicos, estrelas massivas em colapso e colisões entre objetos densos.

Uma explosão que exige velocidade

Explosões de raios gama estão entre os eventos mais energéticos do Universo. Elas podem surgir quando uma estrela muito massiva entra em colapso ou quando objetos densos, como estrelas de nêutrons, se fundem.

Esses eventos liberam jatos de partículas que viajam quase à velocidade da luz. Depois do clarão inicial, surge um “afterglow” (ou “brilho residual”), que enfraquece rapidamente.

Esse brilho funciona como uma assinatura física do evento. Ele guarda pistas sobre energia, velocidade, ambiente ao redor e composição do material lançado pela explosão.

O problema sempre foi o tempo. Observatórios ópticos e de raios X reagem em segundos ou minutos. Telescópios milimétricos e submilimétricos costumavam levar horas ou dias.

O alerta chegou em 90 segundos

A mudança começou quando o observatório espacial Neil Gehrels Swift, da NASA, detectou a explosão de raios gama. O sistema enviou um alerta automático quase imediatamente.

Em 90 segundos, o operador de plantão já tinha recebido a notificação. Quatro minutos depois, o Submillimeter Array começou a se mover para apontar suas antenas ao alvo.

O processo funcionou quase sem intervenção humana. Essa automação tornou possível observar um fenômeno que muda em escala de minutos.

“Foi algo incrível de acompanhar em tempo real”, disse Garrett Keating, astrofísico e vice-diretor do Submillimeter Array, ao Daily Galaxy. Ele liderou o esforço de resposta rápida.

Segundo Keating, reagir e processar os dados nessa velocidade mudou a rotina do observatório. Ele afirmou que minutos eram decisivos para capturar o evento.

Imagens surgiram enquanto o sinal ainda evoluía

A velocidade não ficou restrita ao movimento das antenas. Em 13 minutos após a detecção original, o conjunto já coletava dados científicos.

Um sistema automático também processava as informações enquanto elas chegavam. Isso permitiu transformar dados interferométricos em imagens úteis quase em tempo real.

Interferometria combina sinais de várias antenas espalhadas por uma área. O resultado não nasce como uma foto comum. Ele exige reconstrução computacional.

“Com interferometria, nós não recebemos imagens diretas do telescópio”, explicou Ranjani Srinavasan, diretora interina do Submillimeter Array. “Normalmente, esse processo demora bastante.”

O que isso muda na astronomia

O novo fluxo reduziu o tempo de resposta em cerca de duas ordens de magnitude. Ou seja, uma etapa que antes podia levar muitas horas caiu para poucos minutos.

Dessa forma, os astrônomos conseguem acompanhar fases mais jovens do afterglow, quando as condições físicas mudam mais rápido.

Ainda faltam detalhes sobre a distância da explosão, sua energia total e o objeto que originou o evento.

Porém, o próximo passo será tornar o sistema ainda mais rápido. Keating afirma que a equipe acredita poder reduzir a resposta para dois ou três minutos.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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