Nave além de Plutão mede como o Sol perde força no espaço

Dados da New Horizons mostram como gás interestelar desacelera o vento solar e afeta a proteção natural do Sistema Solar.

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Ilustração da sonda New Horizons enquanto viaja pelo Cinturão de Kuiper. Imagem: Southwest Research Institute

A nave New Horizons mediu uma desaceleração gradual do vento solar nas regiões externas do Sistema Solar. O estudo, publicado no The Astrophysical Journal, e liderado por Heather Elliott, analisou dados entre 21 e 58 unidades astronômicas do Sol. A descoberta ajuda a entender como partículas vindas do espaço interestelar afetam a fronteira solar.

Isso importa porque essa fronteira controla parte da radiação cósmica que entra no Sistema Solar. Essa radiação ameaça astronautas, satélites e naves em missões longas, principalmente fora da proteção da Terra.

O vento solar perde velocidade longe do Sol

O vento solar é um fluxo de partículas carregadas lançado pelo Sol. Perto da Terra, ele viaja a velocidades supersônicas, perto de 1,6 milhão de quilômetros por hora.

A New Horizons está hoje a cerca de 66 unidades astronômicas do Sol (ou 9,87 bilhões de km). O instrumento SWAP, instalado na nave, mediu a velocidade do vento solar em regiões muito distantes. Os pesquisadores compararam esses dados com medições feitas perto da Terra.

Entre 30 e 43 unidades astronômicas, medições anteriores indicavam redução de 5% a 10%. Agora, a equipe encontrou queda de 13% a 15% a 58 unidades astronômicas.

Átomos interestelares criam arrasto

A causa provável vem do encontro entre o vento solar e átomos neutros do espaço interestelar. Esses átomos entram na heliosfera, a região onde o Sol influencia o ambiente espacial.

“Esses átomos interestelares neutros tornam-se ionizados por troca de carga com íons do vento solar”, disse Elliott ao Phys. Esse processo adiciona massa ao fluxo solar.

Ou seja, o vento solar passa a carregar material extra. Esse acréscimo cria um tipo de arrasto e reduz a velocidade das partículas.

A queda ainda é gradual. Ela não se compara ao choque de terminação, onde o vento solar deve perder velocidade de forma brusca.

A Voyager 2 mediu uma queda de 46% nesse choque, a 84 unidades astronômicas do Sol.

Por que isso afeta astronautas

A heliosfera funciona como uma defesa parcial contra raios cósmicos galácticos. Essas partículas vêm de fora do Sistema Solar e podem atravessar estruturas, equipamentos e tecidos humanos.

Elliott afirma que a forma e as propriedades dessas fronteiras controlam quanta radiação consegue chegar até a Terra.

Esse dado pesa no planejamento de missões à Lua e a Marte. Fora da atmosfera terrestre, os raios cósmicos aumentam riscos à saúde e podem afetar tecnologia embarcada.

Uma pista sobre outras estrelas

O estudo também ajuda a entender astrosferas, regiões parecidas com a heliosfera ao redor de outras estrelas. Elas mostram como sistemas estelares interagem com o material interestelar.

Alan Stern, investigador principal da New Horizons, afirma que a missão continua como a única nave ativa na heliosfera externa do Sol.

Os próximos dados devem refinar os modelos da fronteira solar. Eles também podem melhorar estimativas de radiação para astronautas e espaçonaves em viagens mais profundas.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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