Tianwen-2: China chegou à “minilua” da Terra?

Sonda Tianwen-2 tem a missão de estudar Kamoʻoalewa, um asteroide que pode ser fragmento lunar e deve enviar amostras à Terra em 2027.

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Foto da sonda chinesa Tianwen-2 com a Terra ao fundo. Imagem: CNSA
Foto da sonda chinesa Tianwen-2 com a Terra ao fundo. Imagem: CNSA

A China pode ter chegado ao Kamoʻoalewa, um pequeno asteroide próximo capturado temporariamente pela gravidade do nosso planeta. A sonda Tianwen-2 tem a missão de estudar o objeto, coletar amostras e enviá-las à Terra em 2027.

De acordo com a The Planetary Society, era previsto que o encontro com Kamo’oalewa ocorresse no último dia 7 de junho. A CNSA (Administração Espacial Nacional da China) não confirmou oficialmente que essa manobra de encontro ocorreu, mas a AMSAT-DL, uma organização sem fins lucrativos, usou seus telescópios na Alemanha e Holanda, e eles praticamente confirmaram que essa manobra ocorreu.

A confirmação oficial deve ocorrer no próximo dia 4 de julho, quando está previsto o início de uma manobra de aproximação da sonda ao Kamoʻoalewa.

A missão é importante porque Kamoʻoalewa pode não ser um asteroide comum. Parte dos cientistas suspeita que ele seja um pedaço antigo da Lua, arrancado por um grande impacto há milhões de anos.

Um asteroide pequeno com comportamento incomum

Kamoʻoalewa mede entre 40 e 100 metros de diâmetro. Isso o coloca na escala de um prédio de até 33 andares e pode torná-lo o menor asteroide já visitado por uma espaçonave.

O objeto também recebe o nome 2016 HO3. Astrônomos o descobriram em 2016 e o classificam como um quase-satélite (ou minilua) da Terra.

Essa categoria não significa que ele orbita nosso planeta como a Lua. Kamoʻoalewa gira ao redor do Sol, mas mantém uma sincronia gravitacional com a Terra.

Visto daqui, ele parece acompanhar nosso planeta por longos períodos. Seu nome vem do havaiano e significa “objeto celeste oscilante”.

A pista que aponta para a Lua

O grande interesse científico vem da luz refletida por Kamoʻoalewa. Estudos indicam semelhança com rochas lunares coletadas nas missões Apollo.

Essa assinatura não confirma a origem lunar, porém, ela torna a hipótese forte o bastante para justificar uma missão dedicada.

Se a ideia estiver correta, a Tianwen-2 não visita apenas um asteroide. Ela examina uma possível peça perdida da Lua, preservada em uma órbita próxima da Terra.

Isso pode ajudar os pesquisadores a entender impactos antigos, a história da superfície lunar e a dinâmica de pequenos corpos no Sistema Solar.

Como a Tianwen-2 vai coletar amostras

A China lançou a Tianwen-2 em 28 de maio de 2025. Esta é a primeira missão chinesa de retorno de amostras de asteroide.

A sonda passará vários meses observando Kamoʻoalewa à distância. Ela vai mapear a superfície e escolher locais possíveis para coleta.

Os chineses pretendem usar duas estratégias. Uma delas envolve aproximação rápida, toque na superfície e coleta. A outra usa um sistema de ancoragem com brocas.

A meta é trazer entre 20 e 100 gramas de material. Parece pouco, mas essa quantidade pode revelar composição, idade e origem do objeto.

A viagem não termina no asteroide

A Tianwen-2 deve deixar Kamoʻoalewa em abril de 2027. A cápsula com amostras deve chegar à Terra em novembro de 2027.

Depois disso, a sonda usará a gravidade terrestre para seguir viagem. O próximo destino será o cometa do cinturão principal 311P/PanSTARRS

O Telescópio Espacial Hubble registrou esse objeto em 2013. A Tianwen-2 deve chegar até ele por volta de 2035.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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