Tempestade solar medieval deixou o céu vermelho

Registros medievais e carbono 14 em árvores japonesas indicam um evento solar perigoso entre o inverno de 1200 e a primavera de 1201.

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Ilustração de uma aurora vermelha sobre uma floresta medieval.
Ilustração artística de uma aurora vermelha sobre uma floresta medieval japonesa.

Cientistas no Japão encontraram sinais de uma tempestade solar antiga em árvores soterradas e relatos medievais de céu vermelho. O evento ocorreu provavelmente entre o inverno local de 1200 d.C. e a primavera de 1201 d.C.

A pesquisa, conduzida por uma equipe do OIST (Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa), saiu na revista Proceedings of the Japan Academy, Series B. O estudo envolveu história, física solar e anéis de árvores para reconstruir uma explosão de partículas vinda do Sol.

O Sol também pode ser uma ameaça

Auroras coloridas costumam encantar quem observa o céu. Mas a mesma atividade solar que cria esse espetáculo pode oferecer perigo fora da proteção magnética da Terra.

Explosões solares e ejeções de massa coronal podem lançar partículas de alta energia pelo espaço. Em alguns casos, elas geram eventos de prótons solares, conhecidos pela sigla em inglês SPE.

Durante esses eventos, partículas carregadas podem viajar a até 90% da velocidade da luz. Para astronautas fora da Terra, isso representa risco grave de radiação.

Em 1972, por exemplo, vários SPEs ocorreram entre as missões Apollo 16 e Apollo 17. Caso astronautas estivessem na Lua durante um desses episódios, poderiam enfrentar níveis letais de radiação.

Árvores antigas guardaram a pista

A equipe estudou árvores asunaro soterradas no norte do Japão. Esses troncos preservaram variações de carbono 14, um tipo radioativo de carbono que pode aumentar após eventos solares intensos.

Ele funciona como uma assinatura química. Partículas vindas do espaço atingem a atmosfera, formam compostos com carbono 14 e esse sinal acaba registrado em organismos vivos.

Os pesquisadores passaram mais de uma década refinando uma técnica de medição ultrassensível. Isso permitiu detectar variações menores, ligadas a eventos “subextremos”.

Esses eventos têm cerca de 10% a 30% da intensidade dos casos mais extremos.

O céu vermelho do Japão medieval

A pista histórica veio do Meigetsuki, diário do poeta e cortesão japonês Fujiwara no Teika. Em fevereiro de 1204, ele registrou “luzes vermelhas no céu do norte sobre Kyoto”.

Eventos de prótons solares não criam auroras diretamente. Porém, eles costumam acompanhar perturbações solares capazes de produzir esse fenômeno.

A equipe comparou o relato com medições em madeira de Aomori, no norte do Japão. Também usou dendroclimatologia, um método que cruza padrões dos anéis das árvores com variações climáticas regionais.

Registros históricos da China também descreveram uma aurora vermelha em latitudes incomuns no mesmo período.

Um Sol mais agitado que o atual

Os dados indicam que o Sol tinha ciclos mais curtos naquela época. Hoje, a atividade solar varia em ciclos de cerca de 11 anos. No período estudado, os ciclos duravam apenas 7 a 8 anos.

“Os dados de alta precisão nos permitiram datar eventos de prótons solares subextremos e reconstruir claramente os ciclos solares do período”, afirmou Hiroko Miyahara, professora da OIST, ao ScienceDaily.

A descoberta mostra como arquivos naturais e documentos antigos podem ajudar a prever riscos modernos, principalmente para futuras missões lunares.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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