Foguete da SpaceX vai atingir a Lua nesta quarta-feira

Estágio de um Falcon 9 atingirá o lado iluminado da Lua às 3h34, no horário de Brasília, e pode levantar 1 milhão de quilos de poeira.

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A lua em quarto minguante vista do hemisfério sul. Imagem: Wikimedia Commons

Um estágio de foguete Falcon 9, da SpaceX, deve atingir a Lua na madrugada de quarta-feira, 5 de agosto. O impacto ocorrerá às 3h34, no horário de Brasília, perto da borda visível do satélite.

Astrônomos de vários países tentarão registrar o clarão e a nuvem de poeira da colisão. O evento pode ajudar a medir riscos futuros para astronautas, habitats e equipamentos na superfície lunar.

Como o foguete entrou em rota de colisão

A SpaceX lançou o Falcon 9 em janeiro de 2025. A missão transportou os módulos lunares Blue Ghost-1, dos Estados Unidos, e Hakuto-R Resilience, do Japão.

O astrônomo independente Bill Gray acompanhou o segundo estágio desde o lançamento. Em setembro, ele calculou que o objeto passaria perto da Lua em 5 de agosto de 2026.

A previsão mudou após novos refinamentos orbitais. A gravidade da Terra e da Lua orienta grande parte do trajeto, mas a luz solar também exerce uma pequena força.

Por volta de março, Gray concluiu que o estágio não passaria apenas perto. Ele seguiria diretamente para a superfície lunar.

“Isso vai acontecer. Precisamos apenas descobrir exatamente onde e quando”, afirmou Gray ao CBC.

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Foto do lançamento do foguete Falcon 9 em 15 de janeiro de 2025. Imagem: SpaceX

Clarão pode durar uma fração de segundo

O impacto ocorrerá no lado iluminado da Lua, perto de sua borda aparente. Essa posição dificulta a observação do clarão contra a superfície já iluminada pelo Sol.

Observatórios e amadores experientes tentarão registrar o momento com câmeras de alta velocidade.

Ben Fernando, astrônomo do Laboratório Nacional de Los Alamos, nos EUA, considera o clarão difícil de detectar. Ele recomenda imagens a cada décimo ou centésimo de segundo.

A nuvem de poeira pode oferecer um alvo mais acessível. Os pesquisadores esperam que ela permaneça visível entre um e dez minutos.

A colisão pode lançar mais de 1 milhão de quilogramas de rocha e poeira. A maior parte desse material deve retornar à superfície lunar.

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A marcação em azul na borda esquerdo da Lua indica a provável localização do impacto do foguete Falcon 9. Imagem: Bill Gray

Impacto ajuda a estudar riscos na Lua

Objetos humanos já atingiram a Lua antes. Estágios das missões Apollo, a sonda SMART-1 e o satélite LCROSS também terminaram seus trajetos na superfície.

A diferença agora é que novas missões querem levar astronautas novamente à Lua e criar uma presença humana mais duradoura.

O impacto pode arremessar fragmentos contra trajes, habitats e equipamentos, porém, este risco ainda é muito baixo.

Os pesquisadores querem entender os efeitos indiretos da poeira ao cair novamente. Essas medições podem melhorar os modelos que orientam o planejamento de futuras bases lunares.

Gray acompanha cerca de 12 objetos em órbitas distantes. Nenhum deles apresenta rota atual de colisão com a Lua. Ele também monitora o estágio superior da missão chinesa Chang’e 3. A China lançou essa missão em 2013.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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