Lua pode ter preservado gases da Terra de 3,5 bilhões de anos

Amostras da Apollo indicam uma atmosfera rica em enxofre, metano e dióxido de carbono há cerca de 3,5 bilhões de anos.

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Foto do astronauta Harrison H. Schmitt na superfície da Lua, durante a Apollo 17. Imagem: NASA
Foto do astronauta Harrison H. Schmitt na superfície da Lua, durante a Apollo 17. Imagem: NASA

Amostras lunares coletadas pelas missões Apollo podem ajudar a reconstruir a atmosfera terrestre de 3,5 bilhões de anos atrás. A análise encontrou indícios de concentrações elevadas de enxofre, metano e dióxido de carbono.

Esses elementos podem explicar como a Terra manteve oceanos líquidos sob um Sol mais fraco. Eles também ajudam a investigar o ambiente químico que favoreceu o surgimento das primeiras formas de vida.

A Lua registrou partículas vindas da Terra

A Terra perdeu grande parte dos registros físicos de sua juventude. A atividade geológica, a erosão e o clima transformaram ou destruíram rochas formadas durante esse período.

A superfície lunar seguiu um caminho diferente. Ela preservou materiais durante bilhões de anos, inclusive partículas que escaparam da atmosfera terrestre.

De acordo com o Universe Today, Jared Landry, pesquisador de astrobiologia do Instituto de Ciências da Vida Terrestre, em Tóquio, no Japão, analisou amostras lunares do lado próximo da Lua.

Gases da alta atmosfera terrestre podem receber carga elétrica e entrar no vento solar magnetizado. Esse fluxo transporta parte do material até a superfície lunar.

A Lua atravessa esse canal de partículas durante apenas uma fração de sua órbita. O modelo precisou considerar esse intervalo para calcular a quantidade depositada.

Atmosfera tinha mais enxofre e dióxido de carbono

Os resultados apoiam uma atmosfera arqueana mais rica em enxofre que a atual. O Éon Arqueano ocorreu entre 4 bilhões e 2,5 bilhões de anos atrás.

Segundo Landry, os oceanos daquela época podem ter recebido grandes quantidades de compostos de enxofre. Esse ambiente favoreceria reações capazes de produzir moléculas orgânicas complexas.

O modelo também indica uma concentração de dióxido de carbono quase cem vezes maior que a atual. A atmosfera continha ainda uma quantidade elevada de metano.

Esses gases retêm calor e podem ter mantido água líquida na superfície. Essa condição ajudaria a resolver o chamado paradoxo do Sol jovem e fraco.

Há 3,5 bilhões de anos, o Sol emitia menos energia. Sem gases de efeito estufa suficientes, os oceanos poderiam ter congelado.

Modelo separou diferentes fontes de material

Landry considerou o vento solar antigo e a poeira de meteoritos acumulada na Lua. O cálculo identificou uma quantidade adicional de material que teria origem terrestre.

Todas as amostras Apollo vieram do lado lunar voltado para a Terra. Qualquer amostra com idade conhecida pode ajudar a relacionar os elementos ao período correspondente.

A permanência de tanto enxofre ainda apresenta uma dúvida. A Terra precisaria ter baixa atividade hidrológica ou um ambiente mais frio para evitar sua rápida dissolução nos oceanos.

Pesquisa pode alcançar outros mundos

O próximo passo envolve estimar a temperatura da Terra arqueana e a composição de seus oceanos. Esses dados poderão indicar quais reações prebióticas ocorreram naquele ambiente.

O mesmo método pode analisar interações entre Marte e Fobos. Ele também pode ajudar a estudar luas geladas do Sistema Solar exterior.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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