Estudo mostra novo perigo escondido nas tempestades de Marte

Tempestades globais de poeira podem criar regiões favoráveis a descargas elétricas na atmosfera marciana.

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Foto de Marte com tempestade de areia ocorrendo em todo o planeta captado pelo Telescópio Espacial Hubble em 2001. Imagem: NASA/ESA
Foto de Marte com tempestade de areia ocorrendo em todo o planeta captado pelo Telescópio Espacial Hubble em 2001. Imagem: NASA/ESA

Tempestades globais de poeira em Marte podem criar condições atmosféricas favoráveis à atividade elétrica. Um novo estudo analisou a grande tempestade marciana de 2018 e apontou um risco adicional para futuras missões.

A pesquisa, publicada no The Planetary Science Journal, não afirma que raios já surgiram em Marte. Porém, a poeira pode acumular carga elétrica e afetar eletrônicos, instrumentos expostos e superfícies condutoras.

A poeira pode virar risco elétrico

Marte não tem tempestades como as da Terra. Sua atmosfera é fina e rica em dióxido de carbono, sem as nuvens de chuva que alimentam raios terrestres.

Mesmo assim, grandes tempestades levantam, transportam e misturam poeira na baixa atmosfera. Quando os grãos colidem, eles podem separar cargas elétricas.

“Marte não tem tempestades no sentido terrestre, mas tem tempestades intensas de poeira em uma atmosfera fina de dióxido de carbono”, explicou Chali Idosa Uga ao Phys.

Essa carga pode permanecer por mais tempo porque a atmosfera marciana conduz eletricidade de forma fraca. O resultado pode criar campos elétricos localizados.

Animação mostra uma enorme tempestade chegando na Cratera Gale, em Marte, captado pelo rover Curiosity em 2018. Imagem: NASA
Animação mostra uma enorme tempestade chegando na Cratera Gale, em Marte, captada pelo rover Curiosity em 2018. Imagem: NASA

A tempestade de 2018 virou laboratório natural

O estudo investigou a tempestade global que envolveu o planeta em 2018. Esse evento ganhou relevância porque orbitadores e rovers acompanharam a tempestade ao mesmo tempo.

Uga avaliou se uma tempestade desse porte poderia organizar a atmosfera em regiões propícias à ruptura elétrica. Ou seja, pontos onde o campo elétrico chega perto do limite para uma descarga.

Essa descarga poderia lembrar uma faísca, sem exigir um raio como os da Terra. A diferença importa para evitar exagero e manter o risco dentro da física conhecida.

O que isso muda para missões em Marte

O estudo sugere que futuras missões devem tratar tempestades de poeira como ambientes eletrostáticos estruturados. Hoje, elas já preocupam por reduzir visibilidade, alterar temperatura e afetar geração solar.

Porém, o risco elétrico acrescenta outra camada. Descargas e acúmulo de carga podem interferir em eletrônicos, causar arcos entre superfícies condutoras e danificar instrumentos expostos.

Uga destacou que o estudo não calcula risco para uma nave, habitat ou sistema específico. Ele mostra que certas regiões da baixa atmosfera favorecem a persistência de cargas.

Assim, engenheiros podem usar esse tipo de modelo para planejar materiais, blindagem, sensores e protocolos durante grandes tempestades.

A química marciana também entra na conta

A eletricidade pode alterar reações químicas perto da superfície. Isso afeta a forma como cientistas interpretam oxidantes, compostos ligados a percloratos e preservação de moléculas orgânicas.

Esses temas pesam na busca por habitabilidade. Moléculas orgânicas não provam vida, mas ajudam a reconstruir a história química de Marte.

A poeira carregada também pode aderir melhor a superfícies. Isso pode afetar painéis, câmeras, sensores, juntas mecânicas e estabilidade de instrumentos.

Próximo passo será testar o modelo

O próximo avanço deve vir de experimentos de laboratório, modelos elétricos melhores e observações em Marte.

A meta agora é verificar se as regiões previstas pelo modelo geram sinais detectáveis na atmosfera real. Isso porque, para futuras missões, a poeira marciana pode exigir atenção elétrica, não apenas limpeza mecânica.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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