Astrônomos investigam farol cósmico misterioso

A fonte X-4 varia muito em raios X e pode envolver uma estrela de nêutrons ou um buraco negro de massa estelar.

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Imagem composta de raios X em três cores da NGC 4631, obtida pelo Chandra.
Imagem composta de raios X em três cores da NGC 4631, obtida pelo Chandra. Imagem: Allak et al., 2026 (editada).

Astrônomos da Alemanha e da Turquia analisaram a fonte ultraluminosa de raios X batizada como X-4, na galáxia NGC 4631, também conhecida como Galáxia da Baleia, localizada na direção da constelação dos Cães de Caça. A análise saiu no arXiv e reúne dados dos telescópios Chandra, XMM-Newton e Swift/XRT.

O objeto interessa aos pesquisadores porque ele muda muito de brilho e pode revelar como matéria se comporta perto de corpos compactos. A candidata central pode ser uma estrela de nêutrons ou um buraco negro de massa estelar.

Um farol extremo na Galáxia da Baleia

NGC 4631 fica a 24,45 milhões de anos-luz da Terra. A galáxia tem formação ativa de estrelas e emissão fora de seu plano principal. Esse ambiente favorece fontes luminosas de raios X.

Astrônomos já catalogaram oito fontes ultraluminosas de raios X em NGC 4631. Elas receberam os nomes X-1 a X-8.

A equipe liderada por Sinan Allak, do Instituto de Astronomia e Astrofísica de Tübingen, na Alemanha, concentrou a análise em X-4.

O que torna X-4 tão incomum

Fontes ultraluminosas de raios X (ou ULXs), aparecem como pontos muito brilhantes no céu. Cada uma emite mais radiação em raios X do que 1 milhão de sóis em todos os comprimentos de onda.

Elas brilham menos que núcleos galácticos ativos. Ainda assim, superam de forma persistente qualquer processo estelar comum conhecido.

X-4 também tem uma nebulosa em bolha muito assimétrica ao redor. Essa estrutura provavelmente recebe energia de choques causados por jatos ou fluxos de matéria.

As cores vermelha, verde e azul correspondem às faixas de energia de 0,5–1,0 keV, 1,0–2,0 keV e 2,0–8,0 keV, respectivamente. A imagem foi suavizada com um núcleo gaussiano de 5′′. Círculos brancos indicam as posições das ULXs. A fonte X–1 é classificada como uma ULX supersuave; X–6 e X–7, como ULXs transitórias; e X–8, como uma ULX transitória pulsante. O norte está para cima e o leste, para a esquerda.
As cores vermelha, verde e azul correspondem às faixas de energia de 0,5–1,0 keV, 1,0–2,0 keV e 2,0–8,0 keV, respectivamente. A imagem foi suavizada com um núcleo gaussiano de 5′′. Círculos brancos indicam as posições das ULXs. A fonte X–1 é classificada como uma ULX supersuave; X–6 e X–7, como ULXs transitórias; e X–8, como uma ULX transitória pulsante. O norte está para cima e o leste, para a esquerda. Imagem: Allak et al., 2026.

Brilho que muda em várias escalas

De acordo com o Phys, os pesquisadores investigaram variações de X-4 em períodos longos e curtos. O brilho na faixa de 0,3 a 10 keV mudou por mais de duas ordens de magnitude.

Isso confirma a natureza transitória sugerida por observações anteriores. Ou seja, X-4 alterna fases de atividade muito diferentes.

Em escalas menores, a curva de luz do Chandra mostrou picos com duração de cerca de 1.000 a 5.000 segundos. Ela também exibiu flutuações sem periodicidade clara.

A equipe escreveu que reuniu dados de várias épocas para investigar a variabilidade “de anos até intervalos de quilosegundos”.

Ventos densos podem moldar a emissão

Os dados sugerem que a emissão de X-4 sofre influência de um vento espesso, movido pela própria radiação. Esse vento nasce quando o fluxo de matéria fica extremo.

A relação entre luminosidade e temperatura não segue o padrão de um disco fino de acreção. A evolução da dureza espectral também não cresce de modo simples.

A explicação mais provável envolve acreção super-Eddington. Nesse caso, o objeto compacto recebe matéria em ritmo intenso e gera ventos que alteram a aparência dos raios X.

O que falta para identificar o objeto

A equipe não encontrou pulsações coerentes, oscilações quase periódicas ou sinais periódicos estatisticamente relevantes. Os dados do Chandra e do XMM-Newton não bastaram para cravar a natureza de X-4.

As propriedades observadas colocam X-4 entre ULXs com acreção super-Eddington. O objeto compacto pode ser uma estrela de nêutrons ou um buraco negro de massa estelar.

Observações mais profundas, com maior relação sinal-ruído, serão decisivas. Elas podem revelar a estrutura do fluxo de acreção e a identidade do motor escondido em X-4.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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