China quer trazer rochas de Marte antes da NASA e da ESA
A missão Tianwen 3 deve perfurar até 2 metros em Marte e tentar trazer 500 gramas de material à Terra por volta de 2031.

A China planeja lançar a missão Tianwen 3 por volta de 2028 para buscar amostras de Marte e trazê-las à Terra em 2031. O plano prevê coletar ao menos 500 gramas de rochas e solo marcianos.
Se cumprir o cronograma, a missão pode entregar as primeiras amostras físicas já trazidas da superfície de outro planeta. O feito colocaria a China à frente da campanha de retorno planejada por NASA e ESA.
Por que 500 gramas de Marte importam
Meio quilo parece pouco diante das rochas lunares coletadas pelas missões Apollo. Em Marte, essa quantidade representa um salto científico.
Laboratórios terrestres poderiam analisar o material com microscópios eletrônicos, espectrômetros de massa e equipamentos que não cabem em uma sonda. Pequenas porções poderiam render décadas de estudo.
Amostras marcianas também ajudariam a calibrar dados de rovers e orbitadores. Isso permitiria comparar medições feitas em Marte com análises diretas em laboratórios controlados.
Como a Tianwen 3 tentará fazer o trajeto
De acordo com a Argo.net, a arquitetura da missão usa dois lançamentos do foguete Long March 5. Um levaria o módulo de pouso e o veículo de ascensão. O outro levaria o orbitador e o módulo de retorno à Terra.
Após pousar, o módulo coletaria material com pá, broca e um pequeno amostrador aéreo. Depois, o veículo de ascensão decolaria de Marte com o recipiente selado.
Em órbita marciana, o orbitador teria que encontrar e capturar esse pequeno alvo. Em seguida, iniciaria a viagem de volta.
Perto da Terra, uma cápsula separada entraria na atmosfera com as amostras protegidas. Cada etapa exige precisão alta, já que uma falha pode encerrar a tentativa.
A broca de 2 metros é o ponto científico
A Tianwen 3 deve perfurar até 2 metros abaixo da superfície. Esse detalhe importa porque radiação, química oxidante, ar fino e grandes variações de temperatura podem degradar moléculas orgânicas. Material enterrado tem mais chance de preservar sinais antigos.
A perfuração pode alcançar amostras menos expostas ao ambiente marciano atual. Isso ajudaria a investigar minerais, sais, reações com água e possíveis pistas de habitabilidade passada.
Onde a missão pode pousar
A busca por local de pouso considera áreas com sinais de antiga atividade de água. Regiões como Amazonis Planitia, Utopia Planitia e Chryse Planitia aparecem entre as candidatas.
O local final precisa equilibrar segurança e valor científico. A área deve ter altitude favorável, terreno manejável, poucos riscos rochosos e luz solar suficiente.
A presença de sedimentos, camadas antigas ou minerais ligados à água pode aumentar o interesse. O desafio está em pousar com segurança e ainda alcançar material relevante.
Corrida científica e risco biológico
A NASA e a ESA já trabalham para trazer tubos coletados pelo rover Perseverance em Jezero Crater. Porém, essa campanha enfrenta pressão de custo e cronograma.
Por outro lado, a Tianwen 3 pode trazer menos contexto geológico que a coleção do Perseverance, mas pode chegar antes.
Na Terra, pesquisadores abririam a cápsula em instalação controlada. O cuidado protegeria as amostras contra contaminação terrestre e avaliaria qualquer risco biológico desconhecido.
Se tiver sucesso, a Tianwen 3 pode transformar Marte em objeto de laboratório. A pergunta sobre vida passada no planeta vermelho ganharia material real para testes mais finos.
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