Rival da SpaceX acelera corrida para a Lua

Chamado Endurance, o módulo Blue Moon MK1 passa por testes nos Estados Unidos antes de uma tentativa de pouso não tripulado na Lua.

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Ilustração do módulo lunar Blue Moon MK1 na superfície da Lua.
Ilustração do módulo lunar Blue Moon MK1 na superfície da Lua. Imagem: Blue Origin

A Blue Origin avançou nos testes de seu primeiro módulo lunar, chamado Endurance, enquanto tenta preparar o veículo para uma missão à Lua ainda em 2026. O módulo Blue Moon MK1 não levará astronautas, mas pode abrir caminho para uma versão mais avançada voltada ao programa Artemis, da NASA.

O teste importa porque a corrida para voltar à superfície lunar depende de veículos privados capazes de pousar, operar e decolar da Lua com segurança. Blue Origin e SpaceX estão nesse tabuleiro, cada uma com seu próprio módulo lunar em desenvolvimento.

Um módulo criado para abrir caminho até a Lua

Endurance é o nome do módulo de teste Blue Moon MK1, uma versão não tripulada do sistema lunar da Blue Origin. A ideia é usar esse primeiro veículo para validar tecnologias antes do Blue Moon MK2, planejado para transportar astronautas até a superfície lunar.

A NASA contratou dois módulos lunares privados para apoiar o programa Artemis: o Blue Moon, da Blue Origin, e a Starship, da SpaceX. Ambos ainda precisam cumprir uma longa lista de testes e certificações antes de receber autorização para missões tripuladas.

Testes em centros da NASA e na Flórida

O módulo de pouso lunar não tripulado MK1 da Blue Origin durante testes na câmara de vácuo. Imagem: NASA/Blue Origin
O módulo de pouso lunar não tripulado MK1 da Blue Origin durante testes na câmara de vácuo. Imagem: NASA/Blue Origin

O Endurance concluiu recentemente testes em câmara de vácuo no Johnson Space Center, da NASA, em Houston, nos EUA. Esse tipo de ensaio simula condições extremas do espaço, onde não há ar ao redor da nave.

Depois disso, o módulo seguiu para instalações da Blue Origin perto do Kennedy Space Center, na Flórida. Agora, ele passa por preparação para testes de compatibilidade de radiofrequência dentro da Lunar Plant 1, estrutura da própria empresa.

Esse teste serve para verificar se os sistemas de comunicação do módulo funcionarão sem interferências durante a missão. Para uma nave lunar, comunicação estável é o que mantém o veículo ligado à operação em solo.

Antes dos astronautas, um pouso sem tripulação

Antes de a NASA certificar qualquer módulo para levar astronautas à Lua, os veículos precisam demonstrar capacidades essenciais. Entre elas estão pouso lunar não tripulado, navegação autônoma, transferência de combustível criogênico, armazenamento prolongado e decolagem de volta à órbita lunar.

A Blue Origin espera cumprir parte desse caminho com o Endurance ainda em 2026. A missão também deve levar duas cargas científicas de demonstração para o programa CLPS (sigla em inglês para Serviços Comerciais de Carga Lunar) da NASA.

Esse programa trabalha em paralelo ao Artemis e usa empresas privadas para levar instrumentos à Lua. O objetivo é amadurecer tecnologias úteis para futuras missões de longa duração com astronautas.

Artemis depende de uma disputa técnica em aberto

A NASA mira o fim de 2027 para o lançamento da Artemis 3, que levará quatro astronautas à órbita da Terra em uma cápsula Orion. A missão deve testar manobras de encontro e acoplamento com o Blue Moon, com a Starship ou com os dois veículos.

A agência também sinalizou que pode voar com o módulo que estiver pronto no momento certo. Já o primeiro pouso lunar do programa Artemis está previsto para 2028, na Artemis 4.

O cronograma ainda tem obstáculos

De acordo com o Space, a chegada do Endurance ao espaço em 2026 depende do desempenho nos próximos testes e da ausência de anomalias. Outro ponto crítico é o foguete New Glenn, da Blue Origin, previsto para lançar o módulo.

O veículo está atualmente impedido de voar enquanto a FAA (a Administração Federal de Aviação dos EUA) investiga uma falha no segundo estágio em sua missão mais recente. Do outro lado, a Starship já acumula 11 lançamentos de teste ao espaço, com um 12º esperado em cerca de uma semana.

Mesmo assim, a nave da SpaceX ainda não completou uma órbita inteira da Terra. Ou seja, as duas empresas seguem em uma corrida com avanços visíveis, mas também com etapas técnicas pesadas pela frente.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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