Como os astronautas fazem o número 2 na Artemis 2?

Artemis 2 estreia banheiro com porta na cápsula Orion

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Vista do vaso sanitário utilizado na missão Artemis 2.
Vista do vaso sanitário utilizado na missão Artemis 2. Imagem: YouTube/Reprodução

A missão Artemis 2, da NASA, leva quatro astronautas em uma viagem de cerca de 10 dias ao redor da Lua com uma novidade em relação à era Apollo: um banheiro com porta dentro da cápsula Orion. O detalhe mostra como a tecnologia espacial evoluiu em meio século. Ao mesmo tempo, na estreia do sistema, ele já enfrentou um problema técnico.

Do improviso da Apollo ao banheiro privativo

Na era Apollo, a situação era bem menos confortável. Os astronautas urinavam com um dispositivo acoplado ao corpo e faziam as necessidades sólidas em sacos plásticos, tudo na presença dos colegas de tripulação.

Agora, a cápsula Orion oferece algo que os astronautas da Artemis 2 consideram um luxo: privacidade. O canadense Jeremy Hansen resumiu isso de forma direta ao explicar que o banheiro é “o único lugar” da missão em que a tripulação pode sentir que está sozinha por um momento.

O espaço continua apertado. Segundo a Lockheed Martin, fabricante da nave, o banheiro tem tamanho parecido com o lavabo de um avião pequeno. Isso porque a Orion tem um volume habitável de cerca de 9,34 metros cúbicos. É um espaço comparável ao de duas minivans para quatro pessoas durante uma viagem de uma semana e meia.

Como funciona o banheiro da Orion

A porta do banheiro fica no piso da cápsula. Na Terra, isso pareceria estranho. No ambiente de microgravidade, porém, a orientação perde importância.

A área, chamada pela NASA de hygiene bay (ou baía de higiene), também pode usar cortinas de privacidade. Se a tripulação precisar de mais espaço, a porta pode ficar aberta com essa proteção extra. Em vídeo, o astronauta canadense Jeremy Hansen mostrou uma réplica do vaso sanitário da Orion utilizado para treinamento:

O sistema usado pela espaçonave da Artemis é semelhante ao Sistema Universal de Gestão de Resíduos, adotado no segmento americano da Estação Espacial Internacional. O conjunto traz um assento sobre um recipiente e uma mangueira flexível para urina. Cada astronauta usa seu próprio funil, medida que ajuda na higiene.

Sem a gravidade, o transporte dos resíduos líquidos depende do fluxo de ar. Na Artemis 2, a urina não será reciclada, como ocorre na estação espacial. Por ser uma missão curta, o plano prevê descartar esse material no espaço várias vezes ao dia.

Com os resíduos sólidos, o processo muda. O material vai para um saco na parte inferior do sistema, depois é comprimido dentro de um recipiente. Ao longo da missão, a tripulação precisará trocar esse compartimento algumas vezes. Todo esse conteúdo volta à Terra com a nave.

Problema técnico aparece logo no começo

Apesar do salto tecnológico, o banheiro da Orion já estreou com dificuldade. Durante coletiva após o lançamento, Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, afirmou que surgiu um problema com o ventilador do vaso sanitário (que aspira os resíduos em microgravidade) no momento em que o sistema foi ligado.

Segundo ele, a solução exigiu algumas horas de trabalho. A agência não deixou claro se a falha comprometia diretamente o uso do banheiro ou se afetava apenas parte do sistema. Porém, de acordo com a astronauta Christina Koch, esta foi uma falha pontual e ela já foi resolvida. “Provavelmente relacionada ao tempo em que o sistema ficou inativo… ele precisou de um período de aquecimento, uma espécie de ajuste inicial”, relatou Christina.

Ela ainda acrescentou: “Eu diria que é provavelmente o equipamento mais importante a bordo. Então, todos nós respiramos aliviados quando vimos que estava tudo bem”, disse a astronauta.

A NASA também reforçou que a Artemis 2 é justamente um teste com humanos dos sistemas da Orion, incluindo o suporte à vida. Ou seja, lidar com falhas pequenas faz parte do objetivo do voo.

Plano B lembra os tempos da Apollo

Caso o banheiro não funcione como esperado, a missão leva equipamento de contingência. A solução resgata uma tecnologia que lembra a era Apollo: bolsas de coleta de urina.

Mesmo assim, a tripulação ainda poderia usar partes do banheiro para outras funções, inclusive para descarte do líquido para fora da nave.

Sucesso da missão depende do fim completo

O chefe da NASA, Jared Isaacman, destacou que a Artemis 2 só será considerada bem-sucedida com a conclusão integral do voo. Isso inclui o retorno seguro dos astronautas e o pouso da cápsula Orion no oceano ao fim da missão.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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