NASA ativa câmera de 300 megapixels do telescópio Roman
Instrumento de 300 megapixels e coronógrafo do telescópio Roman passam pelos primeiros testes no espaço antes de a sonda chegar ao ponto L2.

A NASA ativou a Wide Field Instrument, a câmera infravermelha de 300 megapixels do telescópio Nancy Grace Roman. O coronógrafo do telescópio, feito para fotografar planetas fora do Sistema Solar, também concluiu os primeiros testes.
Os dois instrumentos fazem parte da fase de comissionamento do Roman, processo de meses que continua enquanto a sonda viaja cerca de 1,6 milhão de quilômetros rumo ao segundo ponto de Lagrange (o L2) seu destino final de observação.
A Wide Field Instrument combina um campo de visão amplo com a nitidez de imagem associada a telescópios como o Hubble. Ou seja, uma única imagem da câmera cobre uma área do céu maior do que o tamanho aparente da Lua cheia.
Os dados coletados vão ajudar cientistas a estudar planetas fora do Sistema Solar, investigar a energia escura e mapear como a matéria está distribuída pelo Universo.
Câmera de 300 megapixels entra em operação
A ativação da Wide Field Instrument confirma que o instrumento funciona em condições reais de voo, depois de anos de testes em solo. Josh Schlieder, cientista da Wide Field Instrument no Goddard Space Flight Center da Nasa, em Greenbelt, Maryland, afirmou que a confirmação de que o instrumento está operacional no espaço é um marco para as equipes do Goddard e das empresas BAE Systems e Teledyne, além dos centros científicos envolvidos.
Porém, ainda há trabalho pela frente até o início das observações científicas.
Resfriamento dos detectores é feito em etapas
Antes de ligar a câmera, a equipe manteve o instrumento por dez dias em processo de secagem e descontaminação, com os detectores a uma temperatura de menos 65 graus Celsius. No dia 11 de setembro, pela manhã, o time desligou o aquecedor do instrumento e deixou a câmera esfriar até menos 143 graus Celsius, temperatura na qual os 18 detectores infravermelhos do Roman puderam ser ativados. Juntos, esses detectores somam uma área sensível à luz do tamanho aproximado de uma tela de notebook.
Na mesma noite, a equipe ligou o sistema de calibração da câmera. Na manhã seguinte, começou o envio de dados de teste do instrumento de volta para as equipes em solo.
Roda de filtros e foco passam por teste sem gravidade
No sábado à noite, os engenheiros testaram a element wheel, roda que reúne filtros e prismas e controla quais comprimentos de onda chegam aos detectores. Foi a primeira vez que o mecanismo foi testado fora da gravidade terrestre. No domingo de manhã, a equipe testou o sistema de foco da câmera, que será responsável por manter nítidas as centenas de milhares de imagens que o Roman deve capturar.
Os detectores seguem esfriando rumo à temperatura final de operação, de menos 183 graus Celsius. Os resultados mostraram que a Wide Field Instrument funciona como esperado, e o Roman segue no cronograma para divulgar suas primeiras imagens científicas no início de 2027.
Coronógrafo também conclui checagem inicial
O Coronagraph Instrument do Roman usa óptica, máscaras, espelhos deformáveis e sensores para bloquear o brilho de uma estrela e permitir a detecção da luz, muito mais fraca, refletida por planetas ao redor dela. Equipes do Coronagraph Commanding Center, no Caltech/IPAC, em Pasadena, nos EUA, confirmaram a comunicação com todos os sistemas principais do instrumento, incluindo software, controles térmicos, mecanismos, câmeras e a aviônica que os opera. O teste também confirmou que as equipes em solo conseguem controlar remotamente os mecanismos móveis que posicionam máscaras, filtros de cor, lentes e prismas.
O sistema térmico do coronógrafo também foi validado. Ele consegue aquecer o equipamento até 22 graus Celsius, temperatura próxima à ambiente na qual o instrumento opera, com exceção dos detectores. Essa escolha de projeto facilita os testes e ajuda a preservar as propriedades dos espelhos deformáveis.
Eric Cady, engenheiro óptico que lidera o comissionamento do coronógrafo no Jet Propulsion Laboratory da NASA, explicou que a equipe agora mantém os detectores aquecidos e o instrumento parado para que resíduos como água ou traços químicos se desprendam da superfície, processo que deve continuar por 30 dias, com pausas para outras atividades de calibração.
O comissionamento do Roman ainda vai durar meses. A câmera e o coronógrafo passaram nos primeiros testes de funcionamento, mas a sonda continua em trânsito rumo ao L2 e as observações científicas só devem começar em 2027.
Sobre o Autor
0 Comentários