Missão tripulada parte rumo à Lua pela primeira vez desde 1972

Este é o primeiro voo tripulado além da órbita baixa da Terra em 53 anos. Confira o cronograma da missão.

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Print do momento do lançamento da missão Artemis 2. Imagem: YouTube
Print do momento do lançamento da missão Artemis 2. Imagem: YouTube

Após 53 anos, decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, nos EUA, o foguete da missão Artemis 2 em direção à Lua. O lançamento ocorreu às 19h35 (horário de Brasília), desta quarta-feira (1) e, se tudo correr como planejado, os astronautas vão sobrevoar a Lua e voltar à Terra em uma viagem de quase 10 dias.

Esta será a primeira vez que humanos deixam a órbita baixa da Terra, desde a missão Apollo 17, em dezembro de 1972. A tripulação deve atingir a distância recorde de 406 mil quilômetros da Terra, além de contar com a primeira mulher, a primeira pessoa negra e o primeiro não-estadunidense a viajar até o entorno da Lua.

Os quatro tripulantes, sendo 3 estadunidenses e 1 canadense, viajam a bordo da nave batizada como Integrity, que possui um volume habitável de 9,34 m³, algo que a NASA compara à soma de duas minivans pequenas. Reveja a cobertura da NASA do lançamento da missão Artemis 2:

Quem voa na missão Artemis 2

A tripulação é comandada por Reid Wiseman e inclui Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, este último da Agência Espacial Canadense. O grupo reúne marcos importantes para a exploração espacial.

Glover deve se tornar a primeira pessoa negra a viajar além da órbita baixa da Terra. Koch será a primeira mulher a cumprir esse trajeto. Já Hansen será o primeiro não-estadunidense a cruzar esse limite nessa nova fase da exploração lunar.

Cronograma da missão Artemis 2

A missão de 10 dias da NASA foi montada como um teste completo de nave, tripulação e rotina no espaço profundo, com uma agenda apertada que mistura ciência, manobras, checagens médicas, exercícios, treino de segurança e observações lunares. Nesta missão, não está prevista um pouso na superfície lunar.

O que acontece depois da decolagem

Os primeiros minutos estão entre os momentos mais críticos de toda a missão. Pouco mais de dois minutos após o lançamento, os dois propulsores laterais se separam. No oitavo minuto, o estágio superior se separa do estágio central. Vinte minutos após a decolagem, os quatro painéis solares do módulo de serviço europeu serão abertos.

Nas primeiras horas no espaço, a espaçonave Integrity ainda ficará acoplada ao estágio criogênico ICPS. Esse estágio fará duas queimas para colocar a nave em uma órbita elíptica alta.

Depois, a tripulação vai se separar dele e executar operações de proximidade, um teste em que a nave voa ao redor do estágio para mostrar que consegue operar perto de outro objeto. Essa habilidade será essencial em missões futuras com módulos de pouso lunar.

O momento que decide a ida à Lua

No segundo dia, os astronautas começam a testar o equipamento de exercício da Orion, aproveitando a experiência acumulada da NASA com os efeitos da microgravidade no corpo humano. Mas o grande marco vem cerca de seis horas após acordarem.

Nesse momento, a nave executará a manobra de injeção translunar, uma queima de 30 minutos que colocará a missão em trajetória de retorno livre. Isso significa um caminho que contorna o lado oculto da Lua e traz a tripulação de volta à Terra sem exigir outra grande queima de motor para garantir o retorno.

Ensaios, checagens e entrada no espaço lunar

No terceiro e no quarto dias, a tripulação ensaiará as tarefas que fará durante a passagem pela Lua, revisará alvos geográficos e realizará demonstrações de segurança, incluindo procedimentos de RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar). Também haverá pequenas correções de trajetória e tempo reservado para fotos da Terra e da Lua.

No quinto dia, a Artemis 2 entra oficialmente no espaço lunar. Isso acontece quando a gravidade da Lua passa a influenciar a Orion mais do que a gravidade da Terra. Antes do fim do dia, a nave ainda fará mais uma pequena correção de rota.

O dia mais esperado da missão

O sexto dia será o auge da viagem. É quando a tripulação fará o sobrevoo lunar. A Orion passará entre 6.440 km e 9.650 km acima da superfície da Lua. Durante cerca de três horas, os astronautas farão registros, tirarão fotos e acompanharão formações geológicas específicas.

Neste dia, a missão poderá levar os astronautas o mais longe da Terra do que qualquer voo tripulado anterior e oferecer uma vista inédita de partes da Lua nunca observadas diretamente por astronautas.

A volta à Terra ainda traz testes importantes

No sétimo dia, a Orion deixará o espaço lunar. A tripulação enviará dados para cientistas na Terra sobre desempenho da nave, estado físico e condição psicológica dos astronautas. Também fará uma chamada de áudio com a Estação Espacial Internacional, algo inédito para astronautas além da órbita baixa da Terra.

Nos dias seguintes, entram em cena testes de proteção contra radiação e novas demonstrações de manobrabilidade. No nono dia, a equipe se prepara para o retorno com correções finais de trajetória e prova roupas de compressão para ajudar o corpo após a microgravidade.

Reentrada e pouso no Pacífico

No décimo dia, a Orion fará sua correção final e iniciará a reentrada. A cápsula descartará o módulo de serviço e enfrentará temperaturas de cerca de 1.650 °C. Depois, três paraquedas vão frear a descida até 27 km/h antes do pouso na água.

A amerissagem acontecerá no oceano Pacífico, na costa de São Francisco, nos Estados Unidos. Um navio da Marinha dos EUA fará a recuperação da nave. Isso marcará o fim de uma viagem curta em duração, mas decisiva para o futuro do programa lunar.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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