China revela 1ª imagem de asteroide raro perto da Terra
Sonda Tianwen-2 chegou a 20 km do asteroide Kamoʻoalewa e prepara a primeira coleta chinesa em um asteroide.

A sonda chinesa Tianwen-2 está explorando o asteroide Kamoʻoalewa, também chamado 2016 HO3, após viajar cerca de 1 bilhão de quilômetros. A CNSA (Administração Espacial Nacional da China) confirmou nesta segunda (6) que a missão chegou ao asteroide no último dia 6 de junho.
O avanço coloca a China em uma etapa nova da exploração do espaço profundo. A missão pretende coletar amostras de um asteroide e enviá-las à Terra para estudo em laboratório.
Uma missão chinesa além da Lua
A Tianwen-2 partiu em 29 de maio de 2025, no Centro de Lançamento de Satélites de Xichang. A nave realizou manobras no espaço profundo e correções de rota antes de alcançar o alvo.
A aproximação ocorreu em etapas. A sonda alcançou o asteroide pela primeira vez em 6 de junho. No dia seguinte, chegou a 30 mil quilômetros e passou a acompanhar o movimento do objeto.
Em 19 de junho, a distância caiu para 2 mil quilômetros.
Finalmente, em 2 de julho, a sonda tirou uma imagem do asteroide a uma distância de cerca de 20 quilômetros. Essa aproximação abriu a fase de mapeamento, análise da superfície e escolha de possíveis áreas de coleta.
Por que Kamoʻoalewa chama atenção
Kamoʻoalewa acompanha a Terra em uma órbita quase satélite. Ou seja, ele segue uma trajetória estável ligada ao movimento do nosso planeta ao redor do Sol.
De acordo com o SpaceNews, observações feitas da Terra sugeriam um diâmetro entre 40 e 100 metros. A primeira imagem próxima indica um corpo menor, alongado e rochoso, com pouco mais de 20 metros.
Essa diferença importa porque o tamanho, o brilho e a textura ajudam a reconstruir a origem do asteroide. Uma hipótese anterior apontava uma possível origem lunar, como fragmento lançado ao espaço por impacto.
A nova imagem favorece outra leitura. O brilho da superfície combina mais com um objeto de origem asteroidal, possivelmente um raro asteroide silicático do tipo E.
Como a sonda tentará coletar amostras
A Tianwen-2 leva 11 instrumentos científicos. O conjunto inclui câmeras, medidores a laser, espectrômetros, radar de sondagem e analisadores de partículas.
A nave também conta com três técnicas de coleta. Ela pode recolher material pairando sobre a superfície, tocar rapidamente o asteroide ou usar fixação com ancoragem.
Essa redundância faz sentido, pois asteroides pequenos têm gravidade fraca, solo irregular e comportamento difícil de prever. Um método pode funcionar melhor que outro após o mapeamento local.
O que vem depois
A sonda deve deixar Kamoʻoalewa em abril de 2027. A cápsula com as amostras tem retorno previsto para o fim de novembro de 2027.
Depois disso, a Tianwen-2 seguirá para outro alvo, o cometa 311P/PANSTARRS. A missão amplia a ambição chinesa após a Tianwen-1, que levou um rover a Marte em 2021.
A China também prepara a Tianwen-3, missão de retorno de amostras de Marte prevista para 2028, e a Tianwen-4, voltada ao sistema de Júpiter.
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