Vizinha da Via Láctea está se comportando de um jeito muito estranho

Simulação aponta que a Pequena Nuvem de Magalhães ainda sente os efeitos de uma colisão antiga com a Grande Nuvem de Magalhães.

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Foto da Pequena Nuvem de Magalhães captada pelo telescópio VISTA, no Chile.
Foto da Pequena Nuvem de Magalhães captada pelo telescópio VISTA, no Chile. Imagem: ESA

Astrônomos podem ter encontrado uma explicação para o comportamento estranho da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da nossa Via Láctea. Um estudo publicado na The Astrophysical Journal sugere que ela ainda sofre os efeitos de uma colisão com a Grande Nuvem de Magalhães.

Uma galáxia que não gira como deveria

Galáxias costumam seguir certos padrões de rotação. Para um tamanho e brilho determinados, as estrelas e o disco de gás tendem a girar de forma previsível.

A Pequena Nuvem de Magalhães virou uma exceção incômoda nesse quadro. Nas últimas décadas, astrônomos perceberam que suas estrelas não giram ao redor do centro com a velocidade esperada.

O detalhe mais curioso aparece na comparação com o gás. Isso porque o disco gasoso da galáxia parece contar uma história diferente da dança lenta de suas estrelas.

Uma vizinha visível no céu do Hemisfério Sul

A Pequena Nuvem de Magalhães tem formato alongado e aparece no céu noturno do Hemisfério Sul. Ela fica a cerca de 20 graus da Grande Nuvem de Magalhães, sua vizinha maior.

Apesar do nome ligado ao navegador português Fernão de Magalhães, o relato histórico dos astros foi feito por um integrante de sua tripulação. Ele também não foi o primeiro europeu a observar esses objetos.

Essas duas galáxias chamam atenção porque vivem próximas e interagem há muito tempo. Agora, a nova simulação indica que essa relação pode ter deixado marcas profundas.

A pancada que bagunçou estrelas e gás

Para testar a hipótese, quatro cientistas criaram uma simulação de computador. O modelo reconstruiu momentos antes, durante e depois de uma colisão entre as duas galáxias.

O encontro teria durado 100 milhões de anos. A violência do choque injetou energia no sistema e deixou a galáxia menor em desordem.

Ou seja, a Pequena Nuvem de Magalhães pode não estar “defeituosa”. Ela pode apenas carregar as cicatrizes gravitacionais de uma trombada antiga.

“A Pequena Nuvem de Magalhães passou por uma colisão catastrófica que injetou muita energia no sistema”, afirmou Gurtina Besla, astrônoma do Observatório Steward, nos EUA, e coautora do estudo à Scientific American. “Ela não é uma galáxia ‘normal’ de forma alguma.”

Simulação de colisão entre a Pequena Nuvem de Magalhães e a Grande Nuvem de Magalhães foi usada em um novo estudo para explicar por que as estrelas na primeira não estão girando tão rápido quanto deveriam.
Simulação da colisão 100 milhões de anos antes, durante e 100 milhões de anos depois entre a Pequena Nuvem de Magalhães (SMC) e a Grande Nuvem de Magalhães (LMC). O estudo pode explicar por que as estrelas na primeira não estão girando tão rápido quanto deveriam. Imagem: Himansh Rathore/Universidade do Arizona

Por que isso importa para entender o Universo

A Pequena Nuvem de Magalhães costuma servir como comparação para galáxias do Universo jovem. Ela tem poucos elementos químicos mais pesados, uma característica útil para esse tipo de estudo.

Se sua história teve uma colisão tão extrema, astrônomos podem revisar algumas dessas comparações. Afinal, usar essa galáxia como modelo exige entender primeiro o quanto ela sofreu no passado.

Para Michele De Leo, astrônomo da Universidade de Bolonha, na Itália, entender sua estrutura interna continua sendo um desafio antigo. O novo estudo ajuda a montar esse quebra-cabeça de interações entre galáxias.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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