Rachaduras na ISS reacendem dúvida sobre segurança no espaço

Rachaduras no módulo russo elevaram o alerta na ISS e mostram o desafio de manter humanos em órbita até 2032.

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Foto da ISS, a estação Espacial Internacional. Imagem: NASA
Foto da ISS, a estação Espacial Internacional. Imagem: NASA

A NASA mandou cinco astronautas da ISS (Estação Espacial Internacional) se abrigarem em uma nave acoplada no último dia 5 de junho. O alerta durou cerca de 1 hora e meia e ocorreu após a piora de um vazamento de ar no segmento russo.

O episódio não encerrou a operação da ISS, mas expôs um problema. A estação envelhece, seus substitutos comerciais atrasam e a presença humana contínua em órbita baixa entrou em uma fase delicada.

Onde está o vazamento na ISS

O vazamento ocorre no túnel de transferência PrK, parte do módulo russo Zvezda. Esse trecho permite acesso a uma porta de acoplamento usada por naves.

As rachaduras são finas, mas preocupam porque atingem uma área estrutural antiga. Técnicos já aplicaram selantes mais de uma vez, sem solução permanente.

A Rússia afirma que o vazamento lento não representa perigo. Por outro lado, a NASA trata o caso como risco elevado de segurança.

Em 2024, Bob Cabana, presidente do comitê consultivo da ISS, afirmou que a NASA tinha preocupações com a integridade estrutural do PrK e com a possibilidade de “falha catastrófica”.

Por que o alerta subiu em junho

No começo de junho de 2026, novas rachaduras apareceram e a taxa de vazamento aumentou. A Rússia propôs reparos no casco com uma furadeira.

De acordo com a Astronomy, a NASA rejeitou o plano. Depois, uma segunda proposta envolveu retirar com uma serra um suporte de carga dentro do túnel.

Foi nesse momento que a agência mandou os astronautas se abrigarem na cápsula Crew Dragon, da SpaceX. A nave ficaria pronta para se separar da estação se ocorresse um acidente.

A Rússia abandonou a segunda proposta. Depois disso, a NASA liberou o retorno dos astronautas ao trabalho.

A estação pode seguir habitável até 2032?

A ISS não foi feita para durar para sempre. O plano era aposentar a estação em 2030, mas uma nova legislação em análise pode estender a operação até 2032.

Essa extensão tenta evitar uma lacuna, uma vez que estações privadas que deveriam substituir a ISS ainda não estão prontas.

A Haven-1, da Vast, tem cerca de um oitavo do espaço habitável da ISS. Ela serve para estadias curtas, de até um mês, e depende de uma cápsula SpaceX acoplada para ar e energia.

A Haven-2 teria módulos maiores, com primeiro módulo previsto para 2028 e conclusão prevista para 2032. Axiom e Starlab Space também desenvolvem estações, mas seguem em fases anteriores.

O fim da ISS também traz riscos

A NASA planeja derrubar a estação de 420 toneladas na atmosfera usando uma versão adaptada da Dragon, da SpaceX. O custo previsto é de cerca de US$ 840 milhões.

A reentrada controlada deve ocorrer sobre Ponto Nemo (Polo de Inacessibilidade do Pacífico), no Pacífico, longe de áreas habitadas. Mesmo assim, pedaços do tamanho de um carro pequeno podem sobreviver à queda.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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