Sonda da NASA encontra pista de água em asteroide
A sonda Lucy encontrou argilas ricas em ferro em Donaldjohanson, asteroide jovem, instável e moldado por colisões antigas.

A sonda Lucy, da NASA, encontrou sinais de água antiga no asteroide Donaldjohanson durante um sobrevoo em 20 de abril do ano passado. O objeto fica no cinturão principal de asteroides e chamou atenção pela forma de amendoim, rotação instável e marcas de colisão.
A descoberta mostra como objetos pequenos ainda guardam pistas da infância do Sistema Solar. Donaldjohanson preserva minerais formados com água líquida, mas sua história parece diferente das de Bennu e Ryugu, por exemplo.
Um ensaio geral antes dos asteroides troianos
Lucy passou a cerca de 1.046 quilômetros de Donaldjohanson enquanto seguia rumo aos asteroides troianos de Júpiter. A espaçonave registrou as primeiras imagens detalhadas e medições científicas desse mundo ainda pouco conhecido.
O encontro também testou instrumentos e operações antes da fase principal da missão. A próxima grande etapa começa em 12 de agosto de 2027, com o sobrevoo de Eurybates.
A equipe publicou os primeiros resultados na revista Science. Reveja as imagens da aproximação:
Um asteroide que não gira direito
Antes da aproximação, telescópios na Terra já indicavam variações regulares de brilho. Esses dados sugeriam que Donaldjohanson completava uma rotação a cada 10,5 dias terrestres.
Lucy mostrou um movimento mais estranho. O asteroide gira de ponta a ponta a cada 10,5 dias e também balança ao redor do próprio eixo longo a cada 26,5 dias.
Esse comportamento lembra um pião instável. Para os cientistas, a rotação ajuda a reconstruir como o objeto mudou após sua formação.

Uma forma de amendoim criada por impacto
As imagens revelaram um corpo bilobado, com duas partes unidas por um pescoço estreito. Essa estrutura sugere uma origem por fragmentos.
Donaldjohanson nasceu há cerca de 155 milhões de anos. Ele teria surgido quando pedaços de uma colisão se juntaram lentamente pela própria gravidade.
A equipe estima que o asteroide já girou pelo menos 10 vezes mais rápido. Nos últimos 20 milhões a 60 milhões de anos, sua rotação perdeu velocidade.
Com a mudança no giro, pedras soltas e detritos escorregaram pela superfície. Esse rearranjo suavizou muitas crateras vistas pelas câmeras da Lucy.
A luz do Sol mudou a rotação
A causa provável desse freio cósmico é o efeito YORP (acrônimo para Yarkovsky–O’Keefe–Radzievskii–Paddack). Ele acontece quando a luz solar aquece partes diferentes de um asteroide.
A superfície devolve essa energia como radiação infravermelha. A força é pequena, mas altera a rotação de corpos irregulares durante milhões de anos.
Bennu e Ryugu mostram outro resultado do mesmo processo. Bennu gira uma vez a cada quatro horas. Ryugu completa uma rotação em cerca de sete horas.
A pista de água estava nas argilas
Durante o sobrevoo, a cerca de 48.280 quilômetros por hora, Lucy detectou argilas ricas em ferro na superfície. Esses minerais exigem água líquida para se formar.
A água, porém, deve ter durado pouco tempo. Exposição prolongada costuma trocar o ferro dessas argilas por elementos como magnésio.
Bennu e Ryugu têm argilas ricas em magnésio. Isso indica contato com água por períodos bem mais longos, possivelmente por milhões de anos.
“Cada diferença sutil é outra pista da nossa história de origem”, disse Simone Marchi, pesquisador do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, nos EUA, e autor principal do estudo, ao SciTechDaily.
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