ISS ganha batata roxa digna de “Perdido em Marte”
Astronauta Don Pettit cultivou uma batata na Estação Espacial Internacional e mostrou como plantas reagem sem gravidade.

Uma batata roxa, peluda e com brotos tortos virou a estrela improvável da Estação Espacial Internacional. O astronauta Don Pettit, da NASA, cultivou o tubérculo durante a missão Expedition 72, que voltou à Terra em abril de 2025.
O experimento, apelidado de “Spudnik”, não entrou apenas na categoria das curiosidades espaciais. Ele também mostra, de forma simples, um desafio real das futuras viagens longas: como produzir comida fora da Terra.
Uma batata digna de “Perdido em Marte”
A ideia lembra diretamente “Perdido em Marte”, livro e filme em que o personagem Mark Watney sobrevive em Marte cultivando batatas. Pettit fez a ligação de forma explícita.
“Reconhecidas por Andy Weir em seu livro e filme ‘Perdido em Marte’, as batatas terão um lugar na futura exploração espacial. Então achei bom começar agora!”, escreveu o astronauta em 20 de março.
Durante a missão Expedition 72, Pettit também entrou para a história como o astronauta ativo mais velho, aos 70 anos. A tripulação participou de pesquisas importantes, incluindo estudos sobre alterações nos olhos causadas pela vida no espaço.
Mesmo assim, foi uma batata improvisada que capturou a imaginação do público.

Como cultivar uma batata sem vaso de verdade
No espaço, não basta colocar uma batata na terra e esperar. Pettit montou um pequeno “terrário” improvisado com luz de crescimento. Para manter a batata no lugar, usou velcro.
De acordo com o Space.com, a base do tubérculo ficou dentro de uma antiga embalagem de bebida. Ou seja, o “vaso” parecia mais um remendo criativo de oficina espacial do que um equipamento agrícola sofisticado.
A foto divulgada por Pettit mostra a batata saindo de uma bolsa plástica, com aparência quase alienígena. Mesmo assim, a estratégia funcionou. Brotos começaram a surgir da batata roxa.
Raízes confundidas pela falta de gravidade
Na Terra, raízes usam a gravidade como uma espécie de bússola natural. No ambiente de microgravidade da estação, essa referência desaparece.
Pettit contou que os brotos da batata cresceram para cima. Ele chamou o fenômeno de “raízes do lado errado”.
“Na ausência de gravidade, as raízes geralmente seguem a umidade, mas às vezes ficam confusas e crescem para cima”, explicou o astronauta.
Ele também comentou que as raízes buscavam solo ou água de forma desordenada. Para conter o crescimento, a equipe manteve os filamentos dentro da embalagem.
Por que uma batata espacial importa
O experimento nasceu como projeto de tempo livre, mas toca em uma questão séria. Astronautas em missões longas não poderão depender apenas de comida enviada da Terra.
Batatas oferecem nutrição relevante e podem entrar em sistemas de horticultura espacial profunda. Pettit resumiu a ambição de forma simples: talvez um dia batatas cresçam em Marte.
Até lá, a órbita da Terra funciona como laboratório. Spudnik mostra que até uma batata presa com velcro pode ajudar a preparar a agricultura fora do planeta.
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