Excesso de confiança atrasou a Starliner, aponta análise
Relatório da NASA liga falhas do Starliner a excesso de confiança, prazos irreais e pouca visibilidade sobre dados críticos.

A fiscalização interna da NASA apontou três causas centrais para os problemas da Starliner, cápsula da Boeing para levar astronautas à ISS (Estação Espacial Internacional). A análise cita excesso de confiança, cronogramas irreais e acesso limitado a dados de simulação.
Até o momento, a Starliner ainda não recebeu certificação para missões regulares com tripulação. A Estação Espacial Internacional deve encerrar operações em 2030.
O que deu errado no programa Starliner
A Starliner não voa desde o Crew Flight Test, em junho de 2024. A missão sofreu falhas nos propulsores e outros problemas técnicos.
A NASA decidiu trazer a nave de volta à Terra sem tripulação. Os astronautas que viajaram no Starliner permaneceram na ISS até março de 2025.
Eles voltaram em uma cápsula Crew Dragon. Esse desfecho reforçou a dependência da NASA de outra opção de transporte para a estação.
A avaliação também analisou dois voos de teste anteriores sem tripulação. Os problemas apareceram de forma recorrente desde 2019.
Excesso de confiança entrou na conta
A NASA confiou demais no projeto da Boeing, segundo a análise. A agência considerou a experiência espacial da empresa e o uso de sistemas herdados.
Essa confiança levou a uma decisão crítica. A Boeing não fez testes integrados de alguns sistemas antes dos voos.
O relatório afirma que a NASA aceitou esse caminho. A agência também aprovou um cronograma que tratava o voo tripulado como sempre próximo.
A partir de maio de 2021, o programa operou como se o teste estivesse a apenas seis meses. O lançamento ocorreu apenas em junho de 2024.
Simulações não receberam atenção suficiente
Outro ponto envolve os dados do simulador de voo do Starliner. O contrato entre NASA e Boeing limitava o acesso a parte dessas informações.
Ainda assim, a fiscalização diz que a agência não usou todos os dados disponíveis antes do voo. Isso incluía simulações com perda de veículo ou tripulação.
A tripulação do teste comparou a situação com a era dos ônibus espaciais. Naquela fase, falhas em simulação geravam investigações abertas e comunicação direta aos astronautas.
Falta de equipe agravou a pressão
O escritório do programa comercial tripulado perdeu 21% do pessoal até abril de 2025. A perda ocorreu por saídas e reorganizações internas.
A equipe também não sabia se manteria acesso a especialistas de outras áreas da NASA. Esses profissionais ajudam na revisão de segurança dos veículos.
A classificação formal do voo como acidente Tipo A só ocorreu em fevereiro de 2026. Essa categoria cobre falhas graves, com alto impacto técnico e organizacional.
Para a fiscalização, a demora de 21 meses atrasou a solução de problemas do Starliner.
Boeing vê avanço, mas certificação pode ficar para 2027
Kelly Ortberg, CEO da Boeing, afirmou que a empresa executou a maior parte das correções após o voo de teste. Ele disse que o plano ainda inclui novos lançamentos.
“Temos uma boa compreensão dos problemas dos propulsores e das ações corretivas”, disse Ortberg ao SpaceNews.
A visão oficial da fiscalização segue mais cautelosa. A certificação no segundo semestre de 2026 parece irrealista diante dos atrasos atuais.
O relatório estima que a aprovação pode atrasar para 2027. A Starliner-1 ainda não tem data marcada.
Testes sobre vazamentos de hélio e falhas no sistema de propulsão ainda não terminaram. A NASA também não sabe quando concluirá a certificação humana da nave.
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