Briga por Marte coloca Rocket Lab contra Blue Origin
Empresa recorre a órgão de fiscalização dos EUA contra a escolha da Blue Origin para construir o novo orbitador de comunicações da NASA em Marte.

A empresa norte-americana Rocket Lab protestou contra a escolha da Blue Origin pela NASA para o lançamento de um novo orbitador de comunicações para Marte, contrato este avaliado em US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,6 bilhões). O recurso, apresentado no último dia 11 de setembro, pode suspender o trabalho da rival.
O protesto foi registrado na Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do Congresso dos Estados Unidos. A NASA havia anunciado, no início de setembro de 2026, a escolha da Blue Origin para desenvolver, lançar e operar a Mars Telecommunications Network (MTN), rede orbital dedicada a retransmitir dados entre a Terra e futuras missões na superfície e na órbita de Marte.
O contrato teve verba aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em julho de 2025. Segundo a Rocket Lab, a NASA não avaliou as propostas conforme os critérios de elegibilidade definidos em lei para contratos de infraestrutura comercial no espaço profundo.
Por que a Nasa precisa de um novo orbitador em Marte?
De acordo com o Space, apenas duas sondas da NASA cumprem esse papel de retransmissão, e as duas são antigas. A Mars Odyssey está em operação desde 2001, e a Mars Reconnaissance Orbiter, desde 2005.
A NASA também recorre à MAVEN para repassar dados de robôs que estão na superfície marciana. Como essas sondas já superaram o tempo previsto de vida útil, a agência busca uma estrutura dedicada e mais moderna para sustentar missões futuras.
O que a Rocket Lab alega no protesto?
A empresa afirma que o processo de avaliação técnica foi conduzido de forma inconsistente e que a NASA cometeu erros ao analisar sua proposta.
Em comunicado, a Rocket Lab declarou que “padrões de contratação existem para garantir concorrência justa e proteger o investimento público… estamos buscando essa revisão para garantir que esses padrões sejam mantidos para uma infraestrutura crítica que vai sustentar a exploração americana em Marte por décadas.”
A Rocket Lab também argumenta que a decisão da NASA contraria critérios de elegibilidade definidos pelo Congresso norte-americano para esse tipo de contrato.
O que muda na prática com o protesto?
Segundo o SatNews, a legislação de compras públicas dos Estados Unidos determina que, uma vez protocolado o protesto, o contrato entra em suspensão automática. Isso significa que a Blue Origin precisa parar o desenvolvimento da MTN até o fim do processo.
A GAO tem até 100 dias para decidir o caso, o que aponta para um veredito até meados de dezembro de 2026. Nesse período, a Nasa deve entregar à agência todo o histórico do processo de avaliação e os critérios usados para escolher a Blue Origin.
Um capítulo comercial que já tem histórico
A disputa repete um roteiro conhecido. Em 2021, a própria Blue Origin protestou na GAO depois que a NASA escolheu a SpaceX para construir o primeiro módulo lunar tripulado do programa Artemis. A GAO rejeitou o protesto, e a empresa de Jeff Bezos ainda processou a NASA na Justiça, perdendo a ação em novembro daquele ano. Em 2023, a NASA optou por contratar um segundo módulo lunar, e a Blue Origin venceu essa disputa.
A rivalidade também expõe os bastidores técnicos do setor espacial norte-americano. A Rocket Lab construiu as duas sondas da missão heliofísica ESCAPADE, da própria NASA, que foi lançada a bordo do foguete New Glenn, da Blue Origin, hoje sua concorrente direta na disputa pelo contrato da MTN.
Pelo cronograma da NASA, a Blue Origin teria até 31 de dezembro de 2028 para entregar a sonda e previsão de início de operação em Marte a partir de 2030. Esses prazos ficam em aberto enquanto a GAO analisa o protesto da Rocket Lab.
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