Webb e Hubble mostram Saturno de um jeito que quase ninguém viu

Novas imagens mostram Saturno em luz visível e infravermelha, revelando detalhes da atmosfera, anéis e luas.

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Imagens de Saturno com anéis
O Telescópio Espacial James Webb adquiriu a visão infravermelha de Saturno à esquerda. A visão de luz visível foi feita com o Telescópio Espacial Hubble. Imagem: NASA/ESA

Saturno ganhou um retrato duplo que ajuda a enxergar o planeta de um jeito mais completo. Novas imagens feitas pelos telescópios espaciais James Webb e Hubble, na segunda metade de 2024, e divulgadas na última semana, mostram o gigante gasoso em luz infravermelha e em luz visível. Juntas, elas revelam diferenças importantes na atmosfera, nos anéis e nas luas do planeta.

O resultado importa porque cada faixa de luz destaca uma parte diferente da cena. É como olhar o mesmo lugar com dois tipos de iluminação. Um mostra melhor as cores que o olho humano reconheceria. O outro expõe estruturas e materiais que passam despercebidos numa imagem comum.

O que cada telescópio viu

Saturno com anéis e luas visíveis.
Saturno captado pelo Telescópio Espacial Hubble. Imagem: NASA

A imagem do Hubble mostra Saturno em luz visível. Ou seja, num aspecto mais próximo do que seria visto a olho nu. Nela, aparecem as faixas de nuvens que cortam o planeta.

Já a imagem do Webb, feita no infravermelho, destaca detalhes atmosféricos menos óbvios. Nessa versão, fica mais fácil identificar uma corrente de jato duradoura chamada “Ribbon Wave”, em latitudes médias do norte.

Logo abaixo dessa onda aparece um pequeno ponto esbranquiçado. Ele marca o remanescente da “Grande Tempestade de Primavera”, um distúrbio atmosférico que deixou marcas entre 2010 e 2012. No hemisfério sul, outras tempestades surgem como marcas espalhadas nas nuvens.

Um brilho diferente nos polos

Saturno com luas em luz infravermelha.
Saturno captado pelo telescópio espacial James Webb. Imagem: NASA

Os polos de Saturno também chamam atenção na imagem infravermelha colorida. Eles aparecem com um brilho acinzentado e esverdeado, associado à emissão de luz em comprimentos de onda em torno de 4,3 mícrons.

Esse sinal pode indicar uma camada de aerossóis em grande altitude. Essas partículas espalhariam a luz de modo diferente nessas latitudes. Outra hipótese citada pela NASA para o fenômeno envolve atividade auroral.

Anéis mais brilhantes e gelo em evidência

As imagens também mudam a forma como os anéis aparecem. No infravermelho do Webb, eles ficam mais brilhantes por causa da luz refletida pelo gelo de água.

Esse contraste ajuda a destacar melhor o anel F, o mais externo. Ele aparece com clareza na imagem do Webb, mas brilha apenas de forma discreta na imagem do Hubble.

Luas fazem participação especial

Saturno com luas visíveis ao redor.
Saturno captado pelo telescópio espacial James Webb. Imagem: NASA

Algumas das mais de 250 luas de Saturno também aparecem nas imagens. No campo mais aberto do Webb, surgem Titã, Jano, Dione, Encélado, Mimas e Tétis.

Na imagem do Hubble, aparecem Jano, Epimeteu e Mimas. A cena ainda registra a sombra de Mimas.

O que vem a seguir

As imagens foram feitas quando Saturno se aproximava do equinócio. Isso significa que a iluminação do planeta e dos anéis seguirá mudando com as estações.

A tendência é que os telescópios consigam visões cada vez melhores do hemisfério sul nas próximas fases sazonais. Isso deve acontecer à medida que Saturno avançar para a primavera austral e, depois, para o verão austral na década de 2030.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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