Quando começa a primavera de 2026 e o que muda com o El Niño?
El Niño com 98% de chance de ser muito forte deve acentuar contrastes de chuva e calor no país.

A primavera 2026 começa terça-feira, 22 de setembro, às 21h05 (horário de Brasília), aponta o ON Observatório Nacional (ON). Um El Niño muito forte deve intensificar as chuvas no Sul e o calor no Centro-Norte do país.
O equinócio de primavera marca o instante em que o Sol, na perspectiva da Terra, cruza o equador celeste em direção ao hemisfério sul, dando início à estação mais florida do ano. A primavera se estende até 21 de dezembro, quando começa o verão.
Uma nota técnica conjunta do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aponta 98% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026, calculada pelo Centro de Previsão Climática da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O fenômeno oceânico deve reforçar o contraste climático entre as regiões do país.
Por que a data do equinócio muda todo ano
A resposta está na diferença entre o ano trópico, período entre dois equinócios de março, e o ano sideral, tempo que a Terra leva para completar uma volta ao redor do Sol. Como os dois ciclos não coincidem exatamente, o instante do equinócio se desloca a cada ano.
O Calendário Gregoriano corrige parte dessa diferença com os anos bissextos, aplicados a cada quatro anos, exceto em séculos que não sejam múltiplos de 400. Por isso a primavera pode começar em 22 ou 23 de setembro, dependendo do ano, explica a Dra. Josina Nascimento, astrônoma do ON.
Como a inclinação da Terra cria as estações
As estações existem porque o eixo de rotação da Terra é inclinado em relação ao plano da sua órbita ao redor do Sol. Essa inclinação faz com que diferentes regiões do planeta recebam luz solar direta em intensidades distintas ao longo do ano, segundo a Dra. Josina Nascimento.
No início da primavera, dias e noites têm duração parecida. A partir de então, os dias ficam cada vez mais longos no hemisfério sul até o solstício de verão, em 21 de dezembro, quando ocorre o dia mais longo do ano.
El Niño muito forte deve mudar o regime de chuvas
O tempo seco típico do outono e do inverno no Sudeste, no Centro-Oeste e no Centro-Norte do país vai ceder lugar, aos poucos, a períodos de maior volume de chuva a partir de outubro, segundo o meteorologista Fabio Pinto da Rocha, do INPE. As pancadas devem vir acompanhadas de raios, rajadas de vento e, eventualmente, granizo.
A nota técnica do INMET e do INPE detalha o efeito regional. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais devem ter excesso de chuva de até 100 milímetros no trimestre, enquanto o Espírito Santo pode registrar déficit de até 50 milímetros. No Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem superar a média histórica em até 200 milímetros.
Já as regiões Norte e Nordeste devem enfrentar déficit de chuva, com queda de até 200 milímetros em Roraima, no norte do Amazonas e no Pará. As temperaturas, por outro lado, tendem a ficar acima da média em praticamente todo o país, com desvios de até 2 graus Celsius no Centro-Norte.
Cuidados com o calor e as chuvas fortes
O aumento da evapotranspiração e o contraste entre o ar quente e as frentes frias favorecem a formação rápida de tempestades severas, alerta Fabio Pinto da Rocha. A recomendação é acompanhar avisos meteorológicos e alertas da Defesa Civil nos dias de chuva forte.
Nos períodos de calor intenso e baixa umidade à tarde, o meteorologista recomenda hidratação constante, uso de protetor solar e evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, principalmente para idosos, crianças e animais de estimação.
El Niño também preocupa a agricultura
A combinação de menos chuva e mais calor no Centro-Norte do país deve reduzir a umidade do solo e o nível dos reservatórios ao longo do trimestre, segundo a nota técnica. Lavouras de sequeiro, como soja, milho, arroz de terras altas e feijão, exigem atenção redobrada na fase de semeadura.
No Centro-Oeste, a maior oferta de chuva favorece o plantio da soja no Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás e do Mato Grosso, enquanto o norte dos dois estados corre risco de déficit hídrico. No Sul, a chuva acima da média favorece as lavouras de verão, mas a menor radiação solar pode dificultar o manejo das plantações de soja e milho.
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