EUA e China discordam sobre que horas são na Lua

Relógios na Lua adiantam 56 microssegundos por dia, e a falta de padrão pode afetar GPS lunar, pousos e futuras bases.

Siga o Futuro Astrônomo no Google
Ao seguir a gente no Google por meio deste link, você indica que gostaria de ver mais conteúdo nosso nos resultados do Google Notícias.
Foto da Lua Cheia.
Foto da Lua Cheia. Imagem: Pexels

A disputa pelo horário da Lua virou uma questão prática para a nova fase da exploração espacial. Estados Unidos e China ainda não convergem sobre um padrão único, e isso pode afetar satélites, pousos e futuras bases lunares.

O problema não envolve apenas relógios. Sistemas de navegação funcionam com sinais de tempo muito precisos. Um erro de 1 microssegundo pode deslocar uma posição em centenas de metros.

Por que a Lua precisa de um horário próprio

Na Terra, celulares, computadores e satélites seguem o Tempo Universal Coordenado (o UTC na sigla em inglês). Esse padrão nasce da comparação entre relógios atômicos mantidos por dezenas de países.

O Bureau Internacional de Pesos e Medidas, perto de Paris, reúne essas medições e calcula uma média ponderada. Depois, os países corrigem seus relógios e enviam o padrão para satélites.

A Lua exige outro cuidado. Lá, os relógios avançam cerca de 56 microssegundos por dia em relação aos relógios terrestres. A diferença vem da gravidade, que altera a forma como o tempo passa.

Ou seja, uma missão lunar não pode tratar o tempo como extensão do horário da Terra.

O ponto de atrito entre Estados Unidos e China

De acordo com o Space, a Casa Branca encarregou a NASA de estabelecer o Tempo Lunar Coordenado (ou LTC). Esse padrão deve orientar o LunaNet, sistema de satélites que a agência planeja usar na Lua.

A China avança por outro caminho. Pequim também apresentou uma estrutura matemática chamada Efemérides do Tempo Lunar (ou LTE440).

O programa Chang’e mantém os satélites de retransmissão Queqiao 1 e Queqiao 2, hoje a base mais concreta para uma rede de navegação lunar.

Esses satélites ajudam a coordenar missões onde sinais diretos da Terra não chegam. Isso importa no lado oculto da Lua, onde a China já realizou pousos robóticos.

Por que isso pode afetar pousos

GPS depende de satélites que transmitem sinais de tempo. Quando os relógios discordam, a posição calculada muda.

Na Lua, a margem de erro pode crescer em um ambiente com crateras, montanhas e poucas áreas seguras para pouso.

O risco é maior porque várias potências querem operar perto do polo sul lunar. A região interessa por causa do gelo de água, que pode virar combustível.

A Índia realizou um pouso nessa região em 2023. Nas próximas décadas, centenas de lançamentos de vários países devem tentar chegar ao mesmo entorno.

O que ainda precisa ser decidido

O conflito não está na física. Cientistas concordam sobre a diferença entre relógios na Terra e na Lua.

A disputa está no padrão operacional. Quem define o horário também influencia fabricantes, satélites, softwares e contratos da futura economia lunar.

A saída mais segura envolve conversão robusta entre sistemas. Assim, missões dos Estados Unidos, da China e de empresas privadas poderiam compartilhar coordenadas sem improviso.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

0 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *