Estrela próxima pode ter disparado “chuva de cometas”
Órbitas de cometas indicam que a estrela HD 7977 pode ter passado perto do Sol e alterado a Nuvem de Oort.

Uma estrela parecida com o Sol pode ter passado perto do Sistema Solar há cerca de 2,5 milhões de anos. Agora, órbitas de cometas de longo período sugerem que esse encontro ainda pode deixar marcas no céu.
A estrela é HD 7977, localizada na constelação de Cassiopeia. Dados da missão Gaia indicam que ela passou a uma distância entre 4.000 e 25.000 unidades astronômicas (entre 598,3 bilhões e 3,7 trilhões de km) do Sol. O estudo está disponível no arXiv.
A pista veio dos cometas
Nathan Kaib, do Instituto de Ciência Planetária, nos EUA, e Sean Raymond, da Universidade de Bordeaux, na França, analisaram cometas de longo período. Esses objetos seguem órbitas muito alongadas e podem levar milhares ou milhões de anos para completar uma volta.
A conclusão deles aponta para uma passagem mais próxima. As órbitas indicam que HD 7977 teria chegado entre 6.000 e 10.000 unidades astronômicas do Sol.
Uma unidade astronômica equivale à distância média entre a Terra e o Sol. A passagem parece distante, mas basta para mexer com objetos da Nuvem de Oort.
O que é a Nuvem de Oort
A Nuvem de Oort é uma região distante, formada por corpos gelados ao redor do Sistema Solar. Ela funciona como um reservatório de cometas.
Normalmente, a gravidade do disco da Via Láctea influencia esses objetos. Esse puxão galáctico altera órbitas e envia alguns cometas para o Sistema Solar interno.
A passagem de HD 7977 teria mudado esse equilíbrio. A gravidade da estrela pode ter superado temporariamente a influência da galáxia.
“A distribuição das órbitas dos cometas sugere que vivemos um período incomum”, afirmou Kaib.
Uma chuva rara de cometas
Os pesquisadores compararam simulações com 112 cometas de longo período observados desde 1989. Esse ano marca o início de buscas profissionais capazes de detectar a maioria dos novos cometas nos dois hemisférios.
Cometas em sua primeira passagem pelo Sistema Solar combinam com o cenário de uma onda gerada por HD 7977. Cometas mais antigos combinam melhor com o puxão do disco galáctico.
Porém, os tamanhos das órbitas dos cometas ainda não batem bem com os modelos.
“É possível que falte alguma física importante em nossas simulações”, disse Raymond ao Planetary Science Institute.
Gaia e Vera Rubin podem testar a ideia
A missão Gaia mediu posições, brilhos e movimentos de estrelas na galáxia. Esse mapa permitiu reconstruir a trajetória de HD 7977 e comparar sua passagem com os cometas atuais.
Kaib afirma que novos dados da Gaia devem melhorar a estimativa em 6 a 12 meses. Isso poderá confirmar ou enfraquecer a hipótese.
O Observatório Vera Rubin também deverá ajudar na próxima década. Seu levantamento deve encontrar muitos cometas novos.
Cada órbita adicional será uma nova pista. Se os cometas preservam a assinatura de HD 7977, eles mostram que o Sistema Solar ainda responde a encontros estelares antigos.
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