Novo achado reacende a busca por vida em Marte

Rover detectou centenas de sinais orgânicos em rochas de Jezero, mas a origem biológica ainda precisa de testes na Terra.

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"Selfie" do rover Perseverance na superfície de Marte. Imagem: NASA
“Selfie” do rover Perseverance na superfície de Marte. Imagem: NASA

O rover Perseverance, da NASA, encontrou carbono orgânico complexo em duas rochas lamacentas da cratera Jezero, em Marte. A descoberta, publicada na Science Advances, reforça o interesse por uma região que já revelou possíveis pistas de vida antiga.

Isso não significa que a NASA encontrou vida em Marte. Mesmo assim, a descoberta importa porque moléculas orgânicas grandes formam uma das bases químicas da vida na Terra e podem resistir em rochas muito antigas.

O que o rover encontrou em Marte

A equipe analisou duas rochas do tipo mudstone, formadas a partir de lama sedimentada. Essas amostras ficam na região Bright Angel, nas bordas norte e sul de Neretva Vallis, um antigo vale fluvial dentro da área de Jezero.

O instrumento SHERLOC, instalado no Perseverance, usou laser para mapear a composição química e mineral das rochas. Ele registrou centenas de detecções orgânicas nas duas amostras.

Os pesquisadores tratam esse resultado como a detecção orgânica mais robusta já feita pelo rover em Jezero. Eles também descrevem o achado como a única detecção de carbono macromolecular em uma superfície rochosa natural de Marte.

Por que carbono complexo chama atenção

Carbono macromolecular significa carbono organizado em estruturas grandes e complexas. Na Terra, esse tipo de material aparece em rochas muito antigas e pode preservar vestígios ligados a microrganismos.

Ao Space, a cientista Ashley Murphy afirmou que todo ser vivo terrestre contém macromoléculas orgânicas complexas. Ela também destacou que Marte antigo pode ter parecido mais com a Terra em certos ambientes.

Portanto, se rios, lagos e lama existiram em Jezero, a região pode ter preservado ingredientes químicos relevantes para a habitabilidade.

A pista fica perto de outra rocha intrigante

As novas detecções ocorreram na mesma área da rocha Cheyava Falls. Em 2025, o Perseverance encontrou nela manchas conhecidas como “manchas de leopardo”, associadas a possíveis bioassinaturas. Veja:

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Imagem: NASA

Essas marcas podem surgir por calor elevado ou acidez extrema. Os dados disponíveis não indicam essas condições na área estudada.

Porém, elas também podem surgir por processos ligados à vida microscópica em sedimentos terrestres. Essa semelhança torna o local mais interessante, mas ainda não fecha o caso.

O que ainda falta provar

As duas rochas não apresentam exatamente a mesma composição. Em uma delas, o carbono aparece misturado principalmente a minerais de silicato. Na outra, ele aparece junto a carbonatos e sulfatos secundários.

O material também parece relativamente preservado. Isso pode indicar resistência à radiação e à oxidação, ou exposição recente na superfície marciana.

A origem segue em aberto. O carbono pode ter chegado por meteoritos ou surgido por processos geológicos hidrotermais. Ele também pode ter alguma relação com química biológica antiga.

Por que a resposta depende da Terra

O Perseverance não carrega instrumentos capazes de separar, sozinho, processos biológicos e não biológicos. Sua missão seleciona rochas promissoras para possível retorno ao nosso planeta.

Laboratórios terrestres poderiam analisar essas amostras com mais precisão. Até lá, Marte entrega uma pista forte, mas não uma prova.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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