3I/ATLAS surpreende astrônomos com química inesperada

O cometa 3I/ATLAS tem uma proporção incomum de metanol, pista rara sobre a química de outro sistema planetário.

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O cometa 3I/ATLAS captado pelo Observatório Gemini, no Chile, em agosto de 2025. Imagem: Wikimedia Commons
O cometa 3I/ATLAS captado pelo Observatório Gemini, no Chile, em agosto de 2025. Imagem: Wikimedia Commons

Astrônomos encontraram uma quantidade incomum de metanol no cometa interestelar 3I/ATLAS. As observações com o Observatório ALMA, no Chile, analisaram o objeto no fim de 2025, enquanto ele se aproximava do Sol.

A descoberta, publicada no The Astrophysical Journal Letters, é importante porque 3I/ATLAS não nasceu no Sistema Solar. Sua composição funciona como uma amostra química de outro sistema planetário, formada ao redor de uma estrela distante.

Um visitante que carrega química de outro sistema

Objetos interestelares oferecem uma chance rara para a astronomia. Eles atravessam o Sistema Solar e trazem material formado fora da vizinhança do Sol.

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto confirmado vindo do espaço interestelar. Antes dele, astrônomos acompanharam 1I/‘Oumuamua e 2I/Borisov.

Cometas guardam gelo, poeira e moléculas orgânicas. Quando se aproximam do Sol, o aquecimento libera gás e poeira. Esse material forma a coma, uma espécie de halo brilhante ao redor do núcleo.

Ao estudar essa coma, os cientistas conseguem ler assinaturas químicas do objeto sem tocar nele.

O metanol apareceu em excesso

A equipe usou a Matriz Compacta do Atacama, parte do ALMA, para observar sinais submilimétricos fracos. O foco estava em duas moléculas: metanol (ou CH₃OH) e cianeto de hidrogênio (ou HCN).

O metanol é um tipo de álcool e aparece em cometas. O resultado incomum está na proporção em relação ao HCN, uma molécula orgânica com nitrogênio.

Em duas datas de observação, os pesquisadores encontraram razões de metanol para HCN próximas de 70 e 120. Esses valores colocam 3I/ATLAS entre os cometas mais ricos em metanol já estudados.

“Observar 3I/ATLAS é como tirar uma impressão digital de outro sistema solar”, afirmou Nathan Roth, líder da pesquisa ao SciTechDaily. “Os detalhes revelam do que ele é feito, e ele está cheio de metanol de um jeito que não costumamos ver em cometas do nosso Sistema Solar.”

A pista pode estar em grãos minúsculos

O ALMA também mostrou que metanol e HCN escapam do cometa de formas diferentes.

O cianeto de hidrogênio parece vir principalmente do núcleo. Esse comportamento aparece com frequência em cometas do Sistema Solar.

Já o metanol parece vir do núcleo e de partículas geladas dentro da coma. Esses grãos funcionam como pequenos cometas. Eles liberam metanol quando o gelo muda para gás perto do Sol.

Essa física detalhada do escape de gases nunca tinha aparecido com esse nível em um objeto interestelar.

O James Webb já tinha encontrado outra surpresa

Observações anteriores com o Telescópio Espacial James Webb mostraram uma coma dominada por dióxido de carbono quando 3I/ATLAS estava mais longe do Sol.

Agora, o excesso de metanol sugere condições de formação diferentes daquelas que moldaram muitos cometas do Sistema Solar.

A descoberta levanta a dúvida se o 3I/ATLAS nasceu em um ambiente mais frio, passou por mudanças químicas intensas ou preservou uma receita rara de outro sistema?

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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