James Webb analisa superfície de planeta fora do Sistema Solar

Observações do exoplaneta LHS 3844 b indicam um mundo escuro, quente, sem atmosfera e possivelmente coberto por rocha vulcânica.

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Ilustração artística de um exoplaneta rochoso ao redor de uma estrela anã vermelha
Ilustração artística de um exoplaneta rochoso ao redor de uma estrela anã vermelha

Astrônomos usaram o Telescópio Espacial James Webb para analisar diretamente, pela primeira vez, a superfície de um planeta fora do Sistema Solar. O alvo foi LHS 3844 b, uma super-Terra localizada a quase 50 anos-luz, com um chão quente, escuro e sem atmosfera.

Um planeta visto pelo calor

LHS 3844 b é 30% maior que a Terra e orbita uma estrela anã vermelha fria. Ele completa uma volta em apenas 11 horas.

Esse mundo também mantém sempre a mesma face voltada para sua estrela. Ou seja, um lado vive em luz constante, enquanto o outro permanece na escuridão.

No lado diurno, a temperatura chega a cerca de 725 °C. Esse calor intenso permitiu que o James Webb captasse a radiação infravermelha emitida pela superfície.

Laura Kreidberg, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, afirmou que a sensibilidade do telescópio tornou essa medição possível. “Vemos uma rocha escura, quente e estéril, sem nenhuma atmosfera”, disse a pesquisadora ao Space.com.

O que o James Webb encontrou

A equipe observou três eclipses secundários em 2023 e 2024. Esse fenômeno acontece quando o planeta passa atrás da estrela, permitindo separar a luz do astro e o brilho térmico do planeta.

Para isso, os cientistas usaram o instrumento MIRI, que opera no infravermelho médio. Ele funciona como uma espécie de câmera térmica cósmica, capaz de ler o calor de objetos muito distantes.

Depois, a equipe comparou o sinal com rochas e minerais conhecidos na Terra, na Lua e em Marte. Os dados descartaram uma crosta parecida com a terrestre, rica em sílica e granito.

Esse tipo de crosta costuma depender de água e placas tectônicas. Na Terra, esses processos reciclam rochas e ajudam minerais mais leves a chegar à superfície.

Um mundo parecido com Mercúrio

Os resultados apontam para uma superfície dominada por basalto. Essa rocha vulcânica escura, rica em ferro e magnésio, aparece na Lua e em Mercúrio.

Sebastian Zieba, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, nos EUA, afirmou que o planeta provavelmente contém pouca água.

Uma hipótese envolve atividade vulcânica recente. Nesse cenário, lava nova cobriria a superfície antes que impactos de micrometeoritos a desgastassem.

O problema é que vulcões liberam gases, como dióxido de carbono e dióxido de enxofre. O instrumento MIRI não encontrou esses sinais em quantidades esperadas.

O próximo passo para estudar planetas rochosos

Outra possibilidade envolve uma camada espessa de material escuro e fino. Radiação e impactos de pequenos meteoritos poderiam quebrar e escurecer as rochas ao longo do tempo.

Esse processo lembra o desgaste espacial que afeta a Lua e Mercúrio. Sem atmosfera, LHS 3844 b ficaria ainda mais exposto a essa transformação.

Novas observações com o James Webb devem ajudar a esclarecer se a superfície tem rocha sólida ou material solto e envelhecido. A revista Nature Astronomy publicou o estudo.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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