Foguete da SpaceX vai atingir a Lua nesta quarta-feira
Estágio de um Falcon 9 atingirá o lado iluminado da Lua às 3h34, no horário de Brasília, e pode levantar 1 milhão de quilos de poeira.

Um estágio de foguete Falcon 9, da SpaceX, deve atingir a Lua na madrugada de quarta-feira, 5 de agosto. O impacto ocorrerá às 3h34, no horário de Brasília, perto da borda visível do satélite.
Astrônomos de vários países tentarão registrar o clarão e a nuvem de poeira da colisão. O evento pode ajudar a medir riscos futuros para astronautas, habitats e equipamentos na superfície lunar.
Como o foguete entrou em rota de colisão
A SpaceX lançou o Falcon 9 em janeiro de 2025. A missão transportou os módulos lunares Blue Ghost-1, dos Estados Unidos, e Hakuto-R Resilience, do Japão.
O astrônomo independente Bill Gray acompanhou o segundo estágio desde o lançamento. Em setembro, ele calculou que o objeto passaria perto da Lua em 5 de agosto de 2026.
A previsão mudou após novos refinamentos orbitais. A gravidade da Terra e da Lua orienta grande parte do trajeto, mas a luz solar também exerce uma pequena força.
Por volta de março, Gray concluiu que o estágio não passaria apenas perto. Ele seguiria diretamente para a superfície lunar.
“Isso vai acontecer. Precisamos apenas descobrir exatamente onde e quando”, afirmou Gray ao CBC.

Clarão pode durar uma fração de segundo
O impacto ocorrerá no lado iluminado da Lua, perto de sua borda aparente. Essa posição dificulta a observação do clarão contra a superfície já iluminada pelo Sol.
Observatórios e amadores experientes tentarão registrar o momento com câmeras de alta velocidade.
Ben Fernando, astrônomo do Laboratório Nacional de Los Alamos, nos EUA, considera o clarão difícil de detectar. Ele recomenda imagens a cada décimo ou centésimo de segundo.
A nuvem de poeira pode oferecer um alvo mais acessível. Os pesquisadores esperam que ela permaneça visível entre um e dez minutos.
A colisão pode lançar mais de 1 milhão de quilogramas de rocha e poeira. A maior parte desse material deve retornar à superfície lunar.

Impacto ajuda a estudar riscos na Lua
Objetos humanos já atingiram a Lua antes. Estágios das missões Apollo, a sonda SMART-1 e o satélite LCROSS também terminaram seus trajetos na superfície.
A diferença agora é que novas missões querem levar astronautas novamente à Lua e criar uma presença humana mais duradoura.
O impacto pode arremessar fragmentos contra trajes, habitats e equipamentos, porém, este risco ainda é muito baixo.
Os pesquisadores querem entender os efeitos indiretos da poeira ao cair novamente. Essas medições podem melhorar os modelos que orientam o planejamento de futuras bases lunares.
Gray acompanha cerca de 12 objetos em órbitas distantes. Nenhum deles apresenta rota atual de colisão com a Lua. Ele também monitora o estágio superior da missão chinesa Chang’e 3. A China lançou essa missão em 2013.
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