Sonda japonesa registra asteroide de “duas cabeças” no espaço

Sonda japonesa passou por Torifune em 5 de julho e enviou imagens de um asteroide com formato incomum e dados térmicos.

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O asteroide Torifune captado pela sonda Hayabusa2. Imagem: JAXA
O asteroide Torifune captado pela sonda Hayabusa2. Imagem: JAXA

A sonda japonesa Hayabusa2 fotografou o asteroide Torifune no último dia 5 de julho, durante o primeiro sobrevoo de sua missão estendida. A passagem ocorreu às 6h29, no horário de Brasília, a cerca de 100 milhões de quilômetros da Terra.

Uma visita rápida a um asteroide incomum

Torifune tem cerca de 450 metros de largura e chamou atenção pela aparência de dois lóbulos. A forma lembra “duas cabeças” e pode guardar pistas sobre choques, rotação e acúmulo de material em pequenos corpos.

De acordo com a JAXA (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial), a Hayabusa2 usou a câmera óptica telescópica ONC-T para obter imagens diretas do asteroide. A nave já havia registrado Torifune em 20 de junho de 2026, quando começou a apoiar a navegação óptica e por rádio.

Esse tipo de navegação funciona como uma conferência cruzada. A equipe combina sinais de rádio com imagens do alvo para ajustar a trajetória da sonda.

Por que a passagem importou

A missão não nasceu para visitar Torifune. A Hayabusa2 decolou em dezembro de 2014, explorou Ryugu e trouxe amostras desse asteroide à Terra em 6 de dezembro de 2020.

Depois da entrega, a nave voltou ao espaço profundo. Torifune virou o primeiro alvo científico dessa nova fase.

De acordo com o Space, a operação também tinha risco técnico. Torifune guardava incertezas sobre forma, rotação e ambiente próximo. Em uma passagem rápida, a nave precisa coletar dados sem repetir a tentativa.

O que os instrumentos mediram

Cerca de uma hora antes da maior aproximação, a Hayabusa2 acionou outros instrumentos. O NIRS3 analisou o asteroide no infravermelho próximo. O TIR registrou o calor emitido pela superfície. O LIDAR mediu distância usando pulsos de luz.

A câmera térmica mostrou regiões mais frias nas áreas sombreadas. As partes voltadas para o Sol aparecem mais quentes. Essa diferença ajuda a estudar rugosidade, retenção de calor e comportamento do solo.

Torifune completa uma volta ao redor do Sol a cada 383 dias, e gira em torno de si mesmo a cada 5 horas. Ele faz parte do grupo Apollo, que reúne objetos próximos da Terra com órbitas que cruzam a órbita terrestre.

Asteroide Torifune visto através da câmera de infravermelho médio da sonda Hayabusa2. Imagem: JAXA
Asteroide Torifune visto através da câmera de infravermelho médio da sonda Hayabusa2. Imagem: JAXA

O que ainda falta chegar à Terra

A Hayabusa2 não conseguiu observar Torifune depois da passagem. Os instrumentos coletaram dados até instantes antes da maior aproximação.

A nave enviou apenas parte das informações científicas. O restante seguirá para a Terra em operações futuras.

A próxima meta da missão estendida fica em 2031. A sonda deve alcançar o asteroide 1998 KY26, com apenas 11 metros de diâmetro. Esse corpo tem tamanho próximo ao objeto que explodiu sobre Chelyabinsk, na Rússia, em 2013.

Se a missão avançar como planejado, a Hayabusa2 poderá estudar um dos menores asteroides que uma nave já analisou de perto.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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