Sonda japonesa dará rasante de 1 km em asteroide

Sonda japonesa passará muito perto de Torifune para testar navegação de precisão e estudar um asteroide ainda cheio de incertezas.

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Ilustração da sonda Hayabusa2 se aproximando de um asteroide. Imagem: JAXA
Ilustração da sonda Hayabusa2 se aproximando de um asteroide. Imagem: JAXA

A sonda japonesa Hayabusa2 deve passar entre 1 e 10 quilômetros do asteroide Torifune no próximo dia 5 de julho. A missão da JAXA (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial) testará navegação de precisão em alta velocidade e pode reforçar técnicas úteis para defesa planetária.

Um rasante quase colado no asteroide

Hayabusa2 cruzará Torifune a 5,3 quilômetros por segundo. Essa velocidade deixa pouco tempo para imagens e medições, mas torna o encontro valioso para ciência e engenharia.

O alvo tem cerca de 450 metros de largura. A sonda usará seus instrumentos para estudar o corpo durante a passagem rápida. A margem prevista varia de 1 a 10 quilômetros.

Satoshi Tanaka, da agência espacial japonesa, apresentou o plano em 11 de junho, durante a 35ª reunião do Grupo de Avaliação de Pequenos Corpos da NASA, nos EUA.

“Este será um dos encontros mais próximos com asteroides já tentados por uma missão desta classe”, disse Tanaka ao Space. Ele afirmou que a equipe conseguiu planejar uma passagem a cerca de 1 quilômetro.

Por que Torifune interessa

Torifune recebeu primeiro a designação 2001 CC21. Depois, ganhou o nome de uma divindade da mitologia japonesa.

O asteroide parece ter alguma semelhança com Itokawa, alvo da primeira missão Hayabusa. Mesmo assim, os cientistas ainda sabem pouco sobre sua forma e suas dimensões reais.

Essa incerteza aumenta o interesse científico. Patrick Michel, investigador principal da missão Hera, da ESA (Agência Espacial Europeia), disse que a operação traz risco porque não entrou no plano original da missão.

O corpo pode ter uma forma inesperada

Michel citou uma possibilidade curiosa de que Torifune pode ser um binário de contato, quando dois corpos se unem em baixa velocidade e passam a viajar juntos.

Esse tipo de objeto já apareceu em outras missões. A sonda New Horizons registrou Arrokoth, no Cinturão de Kuiper. A missão Rosetta visitou o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, conhecido pelo formato de “pato de borracha”.

“Vamos descobrir qual é a aparência dele. Cada vez que vimos um novo asteroide, tivemos uma surpresa”, disse Michel. “Vamos descobrir outra fera para colocar no zoológico dos asteroides.”

Um teste para defesa planetária

O rasante também funciona como ensaio para reconhecimento rápido de asteroides. A ideia é medir propriedades físicas de um objeto antes de uma tentativa de desvio.

Esse tipo de dado pode orientar uma missão com impacto cinético. A NASA testou essa estratégia em 2022, com a missão DART.

Hayabusa2 ainda tem caminho pela frente

Hayabusa2 partiu da Terra em dezembro de 2014, encontrou Ryugu quatro anos depois, coletou amostras e as entregou à Terra em 2020.

A sonda entrou brevemente em modo seguro no ano passado, mas segue ativa. Durante a viagem, ela também observou luz zodiacal e exoplanetas.

O próximo grande objetivo fica para 2031. A missão pretende visitar o pequeno asteroide 1998 KY26, com apenas 11 metros de largura. Se tudo funcionar, Hayabusa2 pode tentar pousar nesse mundo minúsculo.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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