Foguete da SpaceX leva ‘fábrica’ de chips ao espaço
Dois módulos da Besxar voaram no primeiro estágio do Falcon 9 para testar processos de fabricação de semicondutores no espaço.

A SpaceX lançou a missão Starlink 10-50 na manhã deste domingo, 5 de julho de 2026, a partir de Cabo Canaveral, nos EUA. O Falcon 9 leva 29 satélites Starlink v2 Mini e dois módulos de teste para fabricação de semicondutores.
O experimento transforma o foguete em uma plataforma industrial de curta duração. A startup Besxar Space Industries quer usar o vácuo do espaço para testar materiais ultrapuros usados em chips.
Um teste de chips junto com satélites Starlink
Os dois módulos viajaram no primeiro estágio do Falcon 9. Eles não seguiram até a órbita com os satélites.
A viagem será suborbital e terá 8 minutos e 19 segundos. Durante esse período, os módulos passaram pela linha de Kármán, a 100 quilômetros de altitude, considerada a fronteira convencional do espaço.
Depois da separação do segundo estágio, o primeiro estágio continuará subindo por inércia. Em missões Starlink, esse booster costuma chegar a cerca de 115 quilômetros antes de voltar para pousar em uma balsa no oceano.
Por que fabricar chips no espaço
A Besxar chama seus módulos industriais de Fabships. Em outubro de 2025, a empresa revelou que contratou 12 voos do Falcon 9 para testar essas unidades.
A proposta usa uma vantagem física do ambiente espacial. O vácuo pode ajudar na produção de substratos e materiais precursores mais puros para semicondutores.
Esses substratos funcionam como a base sobre a qual componentes eletrônicos crescem. Quanto maior a pureza e o controle do material, maior pode ser a qualidade do processo.
A empresa afirma que a indústria terrestre enfrenta limites de energia, resfriamento, silício e rendimento em fábricas. A aposta é usar o espaço como uma extensão da cadeia de suprimentos de semicondutores.
Laboratórios do tamanho de um micro-ondas
Os primeiros Fabships pertencem à classe Clipper. Cada unidade tem aproximadamente o tamanho de um forno de micro-ondas.
Nessa fase, os módulos levarão wafers de semicondutores fabricados na Terra. O objetivo é verificar como esses materiais resistem ao lançamento, ao voo suborbital e à reentrada.
Ashley Pilipiszyn, fundadora e CEO da Besxar, comparou o teste a um desafio extremo de queda de ovo. “Queremos garantir que conseguimos levar wafers ao espaço, fazer nossa fabricação e trazê-los de volta sem rachaduras ou danos”, afirmou ao Spaceflight Now.
O espaço como infraestrutura industrial
A Besxar recebeu apoio do programa Inception, da Nvidia, voltado a startups. A SpaceX também aparece listada como investidora da empresa.
Pilipiszyn defende que voos frequentes de lançamento e reentrada permitem ciclos rápidos de teste. “Podemos iterar mais rápido do que nunca, transformando o espaço em uma extensão crítica da cadeia americana de semicondutores”, disse.
A missão Starlink também avança
O lançamento será a 62ª missão de entrega de satélites Starlink da SpaceX em 2026. A liberação dos 29 satélites Starlink v2 Mini ocorreu cerca de 1 hora após o lançamento.
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