NASA quer levar rover nuclear de Marte para a Lua
NASA avalia adaptar o rover PROMISE, criado para testes em Marte, para explorar regiões escuras e geladas do polo sul lunar.

A NASA avalia enviar à Lua o PROMISE, um rover nuclear criado como modelo de engenharia para os robôs Perseverance e Curiosity, em Marte. A ideia surgiu no plano da agência para testar tecnologias antes de construir uma base humana no polo sul lunar.
O anúncio ocorreu em 30 de junho, durante uma atualização sobre a iniciativa Moon Base, o projeto para criar a primeira instalação permanente de humanos e robôs na Lua. A missão ainda não tem data definida, mas pode dar à NASA um veículo capaz de operar sem luz solar.
Um rover de Marte pode ganhar nova vida na Lua
PROMISE significa “Polar Rover for Observation, Mapping, and In-Situ Exploration” (ou “Rover Polar para Observação, Mapeamento e Exploração In Situ”). O veículo também já recebeu o nome Optimism.
Ele nasceu no Laboratório de Propulsão a Jato, no sul da Califórnia, nos EUA. Lá, engenheiros usam o rover para testar correções e comandos antes de enviá-los ao Perseverance e ao Curiosity.
Esses dois robôs seguem ativos em Marte. Por isso, enviar o PROMISE à Lua deixaria a NASA sem esse banco de testes terrestre.
Jared Isaacman, administrador da NASA, defendeu a mudança de uso. “Temos anos de experiência operando os dois rovers na superfície de Marte”, afirmou ao Space. “Temos esse hardware no qual os contribuintes investiram muito.”
Veja o vídeo de apresentação:
Por que a energia nuclear faz diferença na Lua
O PROMISE usa um gerador termoelétrico de radioisótopos. Esse sistema converte calor de material radioativo em eletricidade.
Ou seja, o rover não depende do Sol para funcionar. Essa característica pesa muito na Lua, onde várias regiões passam longos períodos no escuro.
A NASA planeja construir sua base Artemis perto do polo sul lunar. Essa região pode guardar grandes reservas de gelo de água, mas tem iluminação complexa.
Outros robôs lunares em desenvolvimento usam energia solar. O PROMISE entraria como uma peça diferente nesse tabuleiro técnico.
A Lua terá uma frota de entregas robóticas
A NASA também escolheu as empresas Astrobotic, Firefly Aerospace e Intuitive Machines para quatro pousadores robóticos. Eles levarão cargas científicas à superfície lunar.
As missões fazem parte do programa CLPS, sigla em inglês para Serviços Comerciais de Carga Lunar. Até 2029, a NASA espera lançar até 20 missões desse tipo.
Cada pousador levará ao menos três instrumentos da agência. Um deles, o SCALPSS, estudará como os motores levantam poeira lunar durante o pouso.
Outro instrumento, o LRA, testará navegação com lasers e refletores. O LETS medirá radiação no espaço ao redor da Lua e em áreas da superfície.
O que a NASA quer aprender antes de enviar pessoas
A estratégia lembra o caminho usado antes da Apollo 11. Isaacman disse que a NASA não saltou direto para o primeiro pouso humano na Lua.
Carlos Garcia-Golan, gerente do programa Moon Base, afirmou que a agência ainda precisa conhecer melhor o polo sul lunar. “Sabemos muito sobre a Lua, um pouco sobre o polo sul, mas nada como precisamos saber antes de enviar humanos”, disse Garcia-Golan.
Para ele, colocar ativos diferentes na superfície será decisivo. A NASA quer mapear o ambiente, prospectar recursos e entender os locais de maior interesse.
O que ainda falta decidir
A NASA não detalhou quais reformas o rover precisaria receber antes de uma missão lunar ou uma data de lançamento. Ainda assim, Garcia-Golan defendeu a proposta. “Estamos no negócio do quase impossível, então por que não?”, afirmou.
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