Lua de Júpiter ganha novo mapa para a busca de vida

Estudo de 13 anos mostrou que a crosta de Europa reflete radar de forma incomum e pode ajudar a missão Europa Clipper.

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A Lua Europa fotografada pela sonda Juno em 2022. Imagem: NASA
A Lua Europa fotografada pela sonda Juno em 2022. Imagem: NASA

Um estudo de 13 anos investigou como a superfície gelada de Europa, a lua de Júpiter, reflete sinais de radar. O resultado ajuda a preencher uma lacuna científica antiga e chega antes da missão Europa Clipper, que deve alcançar o sistema joviano em abril de 2030.

Por que Europa voltou ao centro da busca por vida

Europa atrai astrobiólogos porque guarda um oceano global sob sua crosta de gelo. Estimativas indicam que esse oceano contém cerca do dobro da água presente em todos os oceanos da Terra.

Água líquida não prova vida. Ainda assim, ela entra na lista dos ingredientes mais importantes para ambientes habitáveis. Por isso, cada pista sobre o gelo de Europa importa.

A última missão que estudou Europa em profundidade foi a Galileo, da NASA, até 2003. Desde então, cientistas usam outros caminhos para analisar a lua a distância.

O que o radar revelou sobre o gelo

De acordo com o Universe Today, pesquisadores usaram o Radar do Sistema Solar de Goldstone, da NASA, e o Telescópio Green Bank, da Fundação Nacional da Ciência dos EUA. A campanha ocorreu de 2011 a 2024.

O objetivo era medir o chamado albedo de radar. Ou seja, o brilho que a superfície mostra quando recebe e devolve sinais de radar.

Europa apresentou brilho de radar muito maior que outros corpos planetários do Sistema Solar. O resultado reforçou um estudo anterior, feito de 1987 a 1991.

A superfície gelada também se comportou mais como um espelho do que como uma superfície apenas refletiva. Esse detalhe ajuda a entender a estrutura do gelo e suas propriedades físicas.

Um efeito óptico ajuda a explicar o brilho

O estudo confirmou a presença do efeito de Oposição por Retroespalhamento Coerente, conhecido pela sigla em inglês CBOE.

Esse fenômeno ocorre quando sinais de radar voltam reforçados após passar por materiais como gelo de água puro. Ele ajuda a explicar por que Europa, Ganimedes e Calisto parecem mais brilhantes em radar que outros objetos.

Essa resposta forte aumenta o interesse por luas geladas com possíveis oceanos internos. O dado não confirma vida, mas reforça a importância desses mundos na astrobiologia.

Por que isso interessa à Europa Clipper

“Futuras missões de ciência planetária e voo espacial, como a Europa Clipper, da NASA, poderiam se beneficiar desse tipo de ciência de radar”, disse Will Armentrout, cientista do Observatório Green Bank e coautor do estudo.

A NASA lançou a Europa Clipper em outubro de 2024. A sonda está em viagem e deve chegar a Europa em abril de 2030.

A partir do segundo trimestre de 2031, a missão fará quase 50 sobrevoos em órbitas alongadas. Essa estratégia reduz a exposição à radiação intensa do campo magnético de Júpiter.

A missão buscará três ingredientes principais para habitabilidade: água líquida, fonte de energia e blocos químicos.

Uma história que começou com Galileo

Galileu Galilei descobriu Europa em 1610. As sondas Pioneer 10 e Pioneer 11 registraram as primeiras imagens durante sobrevoos em 1973 e 1974.

As Voyager 1 e 2 ampliaram esse retrato em 1979. Depois, a Galileo começou a orbitar Júpiter em 1995 e observou Europa com mais detalhes.

Dados do magnetômetro da Galileo confirmaram a existência de um oceano líquido subterrâneo. Agora, o radar em solo ajuda a preparar a próxima etapa dessa investigação.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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