Estudo sugere que Urano e Netuno escondem oceanos de magma
Modelos sugerem que Urano e Netuno podem ter oceanos de magma, não mantos gelados como se pensava.

Urano e Netuno podem não ser os “gigantes de gelo” que a astronomia descreve há décadas. Um estudo da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), nos EUA, sugere que os dois planetas podem esconder oceanos de magma em seus interiores.
A hipótese, disponível no ArXiv, muda a forma de entender dois mundos pouco explorados. A Voyager 2 visitou Urano em 1986 e Netuno em 1989, e nenhuma outra espaçonave retornou aos planetas desde então.
O apelido pode estar errado
O nome “gigantes de gelo” vem de modelos antigos sobre a estrutura interna desses planetas. Neles, Urano e Netuno teriam atmosferas de hidrogênio e hélio sobre um grande manto de gelo.
Esse gelo não seria igual ao de um freezer. A ideia envolve água, amônia e metano sob pressões muito altas, com um núcleo rochoso no centro.
O novo estudo, submetido ao Astrophysical Journal, testa outra possibilidade. Os autores usaram simulações de computador para avaliar composições internas capazes de explicar os dados observados.
Um oceano de magma no interior

O modelo propõe três camadas principais. A primeira seria uma atmosfera de hidrogênio e hélio, capaz de levar calor para regiões mais altas e liberar energia ao espaço.
A segunda seria uma camada de transição com hidrogênio, hélio, magnésio, monóxido de silício e oxigênio.
A terceira, mais profunda, seria um oceano de magma formado por silicato, ferro e hidrogênio. Ou seja, o interior desses mundos teria mais relação com rocha derretida que com gelo.
Essa hipótese pode ajudar a explicar mistérios antigos. Urano e Netuno têm campos magnéticos e distribuição de calor que desafiam modelos internos mais tradicionais.
O que isso ensina sobre exoplanetas
De acordo com o Phys, a discussão vai além do Sistema Solar. Urano e Netuno podem servir como referência para sub-Netunos, um dos tipos mais comuns de exoplanetas da galáxia.
Sub-Netunos têm raios entre 1 e 4,5 vezes o raio da Terra. O Sistema Solar não tem um planeta exatamente desse tipo, o que dificulta entender sua formação e evolução.
Os autores sugerem que gigantes de gelo e sub-Netunos gasosos talvez não sejam tão diferentes. A química de suas atmosferas poderia ter condições parecidas, impostas por oceanos de magma internos.
Ainda falta uma missão de verdade
O próprio estudo reconhece que este é apenas um dos modelos capazes de reproduzir características de Urano e Netuno.
A confirmação exige novas missões espaciais. Conceitos como a Uranus Orbiter and Probe e Neptune Odyssey já propuseram orbitadores para estudar os planetas e suas luas.
A missão Uranus Orbiter and Probe, por exemplo, também incluiria uma sonda para mergulhar na atmosfera de Urano.
Por enquanto, Urano e Netuno seguem como mundos vistos de passagem. A nova hipótese não encerra o debate, mas indica que talvez os planetas mais frios do Sistema Solar tenham interiores muito menos congelados do que imaginávamos.
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