Cometa 3I/ATLAS mudou após passar pelo Sol

Subaru detecta mudança na composição da coma do cometa interestelar 3I/ATLAS após sua passagem mais próxima do Sol.

Siga o Futuro Astrônomo no Google
Ao seguir a gente no Google por meio deste link, você indica que gostaria de ver mais conteúdo nosso nos resultados do Google Notícias.
Cometa interestelar 3I/ATLAS (C/2025 N1) fotografado pelo Telescópio Subaru em 13 de dezembro de 2025.
Cometa interestelar 3I/ATLAS (C/2025 N1) fotografado pelo Telescópio Subaru em 13 de dezembro de 2025. Imagem: NAOJ

O Telescópio Subaru, localizado no Havaí, observou o cometa interestelar 3I/ATLAS em 7 de janeiro de 2026, depois de sua maior aproximação do Sol, e identificou uma mudança importante na composição da nuvem de gás ao redor do objeto. A análise indica que a proporção de dióxido de carbono em relação à água ficou menor do que a estimada em observações anteriores feitas por telescópios espaciais, um sinal de que a química do cometa está evoluindo com o tempo.

A descoberta, publicada no The Astronomical Journal, e também disponível no arXiv, importa porque o 3I/ATLAS veio de fora do Sistema Solar. Isso transforma o objeto em uma rara janela para comparar materiais formados em outros sistemas estelares com os cometas que conhecemos por aqui. E a mudança detectada agora pode ajudar a revelar como esse visitante é estruturado internamente.

O que os astrônomos mediram

A equipe liderada por Yoshiharu Shinnaka, doInstituto de Ciências Espaciais de Koyama, da Universidade de Kyoto Sangyo, no Japão, observou o 3I/ATLAS após o periélio, que é o ponto mais próximo do Sol em sua trajetória.

Os pesquisadores analisaram as cores presentes na coma, a nuvem de gás que envolve o núcleo do cometa. A partir disso, estimaram a razão entre dióxido de carbono (CO2) e água (H2O).

Esse dado tem peso científico porque o gás da coma sai do núcleo. Ou seja, observar essa nuvem é uma forma indireta de investigar do que o corpo principal do cometa é feito.

O que mudou depois da passagem pelo Sol

Antes do periélio, o 3I/ATLAS já havia chamado atenção suficiente para ser observado por telescópios espaciais. Essas observações anteriores indicavam uma certa proporção entre CO2 e H2O.

Mas os dados obtidos pelo Subaru depois da passagem pelo Sol mostraram um valor menor para essa razão. Isso significa que o equilíbrio entre os gases liberados pelo cometa mudou ao longo do tempo.

A interpretação proposta pela equipe é que o interior do núcleo pode ter composição diferente da camada mais externa. Conforme o 3I/ATLAS esquentou durante sua passagem solar, gases de regiões diferentes começaram a escapar.

Uma pista sobre a estrutura do cometa

A pesquisa sugere que o cometa não é quimicamente uniforme. Em vez de ter a mesma composição do lado de fora até o centro, ele pode guardar camadas ou regiões internas distintas.

É como aquecer um bloco que parece homogêneo por fora, mas revela materiais diferentes à medida que o calor penetra mais fundo. No caso do cometa, esse “forno” foi o próprio Sol.

Por isso, a mudança na composição da coma pode oferecer pistas concretas sobre a arquitetura interna do 3I/ATLAS.

Por que isso pode pesar nas próximas descobertas

O estudo também aponta para um cenário promissor nos próximos anos. Com a entrada em operação em larga escala de novos telescópios, a expectativa é de que muitos outros objetos interestelares sejam encontrados.

Segundo Shinnaka, as técnicas de observação e análise desenvolvidas a partir do estudo de cometas do Sistema Solar agora permitem comparar diretamente cometas vindos de dentro e de fora do nosso sistema.

Esse tipo de comparação pode ampliar a compreensão sobre diferenças de composição e evolução entre objetos formados em ambientes estelares distintos. E isso toca em uma pergunta ainda maior: como planetesimais e planetas surgem em diferentes sistemas, incluindo o nosso.

No caso do 3I/ATLAS, a mensagem é que o cometa não apenas cruzou o Sistema Solar. Ele começou a revelar, à medida que esquentou, sinais de uma estrutura interna mais complexa do que parecia à primeira vista.

Siga o Futuro Astrônomo no WhatsApp
Entre no canal do Futuro Astrônomo e receba em primeira mão as matérias, as melhores imagens, e alertas de eventos no céu. Conteúdo curto, link direto, sem enrolação. Tudo 100% grátis, sem notificações excessivas.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

0 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *