NASA tenta salvar as Voyager com manobra “Big Bang”
Sondas Voyager 1 e 2 podem ganhar sobrevida com plano arriscado da NASA

As sondas Voyager 1 e Voyager 2, lançadas pela NASA em 1977, estão cada vez mais perto do limite de energia. Mesmo assim, a equipe do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato da agência espacial) prepara uma atividade de engenharia em 2026 para tentar prolongar a vida científica das missões.
Quase 50 anos longe da Terra
As duas naves usam energia nuclear e começaram a missão com cerca de 470 watts disponíveis após o lançamento. Hoje, elas operam com apenas uma parte dessa potência.
A perda continua em ritmo constante: cerca de 4 watts por ano. Por isso, a NASA desliga instrumentos aos poucos para preservar os sistemas principais.
De acordo com a NASA, a Voyager 1 entrou no espaço interestelar em 2012. A Voyager 2 fez o mesmo seis anos depois. Desde então, as duas seguem enviando dados de uma região que nenhuma outra dupla de sondas explorou por tanto tempo.
O que ainda funciona nas Voyager
As duas sondas partiram da Terra com 10 instrumentos operacionais cada uma. Hoje, a lista ficou bem menor.
Na Voyager 1, apenas dois instrumentos aparecem em operação: o magnetômetro, que mede campos magnéticos, e o subsistema de ondas de plasma, usado para examinar gás ionizado.
Na Voyager 2, três instrumentos continuam ligados: o subsistema de raios cósmicos, o magnetômetro e o subsistema de ondas de plasma.
A Voyager 1 desligou o subsistema de raios cósmicos em fevereiro deste ano. Em abril, também desligou o instrumento de partículas carregadas de baixa energia.
O plano chamado “Big Bang”
A NASA prepara uma atividade apelidada de “Big Bang” para economizar energia. O nome soa grandioso, mas a ideia envolve uma troca cuidadosa de aquecimento interno.
Engenheiros vão desligar três dispositivos usados para evitar congelamento nas linhas de combustível dos propulsores. Em seguida, vão ativar outros três dispositivos que mantêm essas linhas aquecidas com quase 10 watts a menos.
“Se for bem-sucedido, isso poderá adiar a necessidade de desligar um instrumento científico em cada espaçonave por pelo menos um ano”, informou um porta-voz da missão ao Space.
A equipe deve testar e implementar o programa na Voyager 2 em maio e junho. Depois, dependendo do resultado, pretende fazer o mesmo na Voyager 1 durante no segundo semestre deste ano.
Até quando elas podem continuar?
Cada sonda está tão distante que um sinal leva quase um dia para chegar até ela. Ainda assim, a equipe da missão espera que as Voyager estejam em operação durante o aniversário de 50 anos no espaço, em 2027.
Suzanne Dodd, gerente do projeto Voyager no JPL, afirmou em 2022 que a missão ainda poderia surpreender. Ela também disse que, com muita sorte, as sondas talvez chegassem aos anos 2030.
Alan Cummings, coinvestigador da missão, afirmou em 2024 que cada nave talvez tivesse cerca de 230 watts para usar. Boa parte dessa energia vai para o transmissor, que consome aproximadamente 200 watts.
A meta mais ambiciosa citada por Dodd seria ver as sondas alcançarem 200 unidades astronômicas (cerca de 29,9 bilhões de quilômetros) da Terra, algo esperado por volta de 2035. Hoje, a Voyager 1 está a cerca de 169,8 unidades astronômicas (25,4 bilhões de km), enquanto a Voyager 2 está a cerca de 143,1 (21,4 bilhões de quilômetros).
As sondas ainda enfrentam linhas de combustível perto do congelamento, telescópios degradados e computadores envelhecidos. Mesmo assim, a redundância criada pela equipe original mantém as Voyager vivas até hoje.
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