NASA desliga parte da Voyager 1 para salvar a missão

Engenheiros desligaram experimento da Voyager 1 para economizar energia e prolongar a operação da primeira sonda humana no espaço interestelar.

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Ilustração artística da sonda Voyager 1.
Ilustração artística da sonda Voyager 1. Imagem: NASA/JPL-Caltech

A NASA anunciou que desligou um dos instrumentos científicos da Voyager 1 para preservar energia e manter a sonda em funcionamento. A nave, lançada em 1977, é o objeto mais distante já construído pela humanidade e segue operando no espaço interestelar.

Uma decisão para manter a Voyager 1 viva

Engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (o JPL) enviaram comandos para desligar o experimento LECP (sigla em inglês para Partículas Carregadas de Baixa Energia).

A medida não representa o fim da missão. Pelo contrário, faz parte de uma estratégia para prolongar a vida útil da sonda, que depende de energia nuclear e enfrenta queda gradual de potência.

Ou seja, a NASA precisou sacrificar um instrumento para preservar o conjunto da espaçonave.

O que o instrumento fazia

O LECP media partículas carregadas de baixa energia, como íons, elétrons e raios cósmicos. Essas partículas vêm tanto do Sistema Solar quanto da galáxia.

Na prática, o instrumento ajudava os cientistas a entender o ambiente ao redor da Voyager 1. Ele registrava variações de densidade, frentes de pressão e mudanças no meio interestelar.

Esse meio interestelar é a região entre as estrelas. É como o “oceano” muito rarefeito por onde a Voyager 1 navega depois de deixar a bolha de influência direta do Sol.

Quase 49 anos de operação

O instrumento funcionava quase sem interrupção desde o lançamento da Voyager 1, em 1977. Isso significa quase 49 anos de coleta de dados em uma das missões mais duradouras da exploração espacial.

A Voyager 1 e sua irmã (a Voyager 2) ocupam uma posição única. Elas são as únicas espaçonaves longe o bastante da Terra para medir diretamente esse tipo de ambiente.

Por isso, cada instrumento ainda ativo tem valor científico raro. Nenhuma outra missão humana coleta essas informações a partir de uma região tão distante.

Uma ordem planejada com anos de antecedência

A escolha do LECP não ocorreu de improviso. Anos atrás, equipes científicas e de engenharia da missão definiram a ordem de desligamento dos sistemas.

O objetivo era decidir, com antecedência, quais partes poderiam sair de operação sem impedir a continuidade da missão.

Cada uma das sondas Voyager levava 10 conjuntos idênticos de instrumentos. Até agora, sete já foram desligados. No caso da Voyager 1, o LECP era o próximo da lista.

A Voyager 2 passou pelo mesmo processo

A NASA também desligou o LECP da Voyager 2 em março de 2025. A medida mostra como as duas sondas entram em uma fase cada vez mais delicada.

Ainda assim, a longevidade das Voyager segue extraordinária. Criadas para uma era muito anterior aos smartphones e à internet moderna, elas continuam enviando dados de uma fronteira que nenhum outro veículo humano alcançou.

Agora, a prioridade é manter essa presença científica funcionando pelo maior tempo possível. Cada watt economizado pode significar mais tempo de contato com a primeira exploradora interestelar da humanidade.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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