Meteorito de Marte revela mineral nunca visto no planeta

A descoberta de granada em um meteorito marciano pode revelar calor, pressão e processos antigos da crosta de Marte.

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Foto do meteorito marciano NWA 8171. Imagem: Gregor H./Encyclopedia of Meteorites
Foto do meteorito marciano NWA 8171. Imagem: Gregor H./Encyclopedia of Meteorites

Cientistas identificaram um tipo desconhecido de rocha marciana com granada, mineral nunca encontrado antes em uma amostra de Marte. A descoberta veio de um fragmento do meteorito NWA 8171, guardado no Museu Real de Ontário, no Canadá.

O achado é importante porque Marte preserva parte de seu passado geológico antigo. Diferente da Terra, o planeta passou por menos reciclagem causada por placas tectônicas, vulcanismo e erosão.

Um mineral que registra condições extremas

A granada aparece muito em joias, mas tem grande valor para a geologia. O mineral se forma sob combinações específicas de calor, pressão e composição química.

Por isso, ele pode registrar o ambiente em que uma rocha nasceu ou mudou. Para cientistas planetários, isso funciona como uma memória mineral.

Em Marte, essa pista pode revelar processos que atuaram há mais de 4 bilhões de anos. Esse período ajuda a explicar como o planeta deixou de ser mais ativo e virou o mundo frio e seco atual.

James Darling, professor da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, afirmou ao SciTechDaily que os resultados “abrem uma nova janela” para entender a evolução do planeta vizinho.

A descoberta veio de uma segunda análise

A pesquisa, publicada no Geochemical Perspectives Letters, teve liderança de Tanya Kizovski, professora assistente de Ciências da Terra na Universidade de Brock, no Canadá. Ela analisava minerais e composição química do fragmento NWA 8171.

A seção chamou atenção porque apresentava química incomum. A equipe pensou primeiro em piroxênio, um mineral comum em rochas planetárias.

Depois, os pesquisadores decidiram revisar a amostra. Eles usaram microscopia eletrônica, microanálise e equipamentos especializados a laser. A análise revelou granada.

O enigma da origem continua

A presença de granada levanta a pergunta se o mineral realmente se formou em Marte?

Na Terra, a granada costuma aparecer em rochas metamórficas. Esse tipo de rocha surge quando calor extremo, alta pressão ou fluidos quentes transformam materiais anteriores.

Em Marte, esses efeitos poderiam ter vindo de um impacto de meteorito, da subida de magma pela crosta ou dos dois processos. A equipe ainda não fechou essa origem.

Existe outra possibilidade. A rocha com granada pode ter chegado a Marte dentro de outro meteorito e depois entrou no registro da superfície marciana.

Isótopos podem resolver o caso

O próximo teste envolve isótopos de oxigênio. Isótopos são átomos do mesmo elemento, com o mesmo número de prótons, mas com quantidades diferentes de nêutrons.

Essa assinatura pode indicar se a granada nasceu em Marte ou em outro corpo planetário. O problema é que o teste destruiria parte da amostra.

Kizovski disse que a equipe evitou esse caminho até agora por causa da raridade do material. A rocha pode ser a única amostra marciana com granada disponível para estudo.

Novas comparações com dados de rovers e sondas orbitais podem ajudar. Até lá, a granada de NWA 8171 segue como uma pista pequena, rara e decisiva sobre a crosta antiga de Marte.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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