Por que a China pode chegar antes dos EUA com solo de Marte na Terra
Missão Tianwen 3 prevê lançamento em 2028 e retorno de solo marciano em 2031, com busca por sinais de vida como prioridade.

A CNSA (Administração Nacional Espacial da China) avança na missão Tianwen 3, que pretende trazer à Terra cerca de 500 gramas de solo marciano em 2031. O lançamento está previsto para 2028, com dois foguetes Longa Marcha 5 partindo do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, o porto espacial mais avançado da China, localizado na ilha de Hainan.
Como funciona a missão Tianwen 3
A missão terá cinco partes, incluindo um módulo de pouso, um veículo de ascensão, uma cápsula de serviço, um orbitador e um módulo de reentrada na Terra.
Janelas de lançamento para Marte se abrem a cada 26 meses. A próxima ocorre entre novembro e dezembro deste ano. A seguinte, entre dezembro de 2028 e janeiro de 2029, sendo esta que a China pretende usar com a Tianwen 3.
Um vídeo divulgado na rede social chinesa Weibo apresenta uma animação da missão.
Busca por sinais de vida é prioridade científica
A prioridade científica da missão é procurar indícios de vida em Marte. Hou Zengqian, cientista-chefe da Tianwen 3, afirmou isso em 3 de setembro de 2026, durante a Conferência Internacional de Exploração do Espaço Profundo, realizada em Hefei, capital da província de Anhui.
Em entrevista à agência estatal Xinhua, Hou disse que a missão vai procurar traços microbianos parecidos com formas de vida primitivas da Terra, sem descartar formas de vida desconhecidas que possam ter surgido na história evolutiva própria de Marte. Segundo ele, isso pode fornecer evidências decisivas para essa questão científica.
As amostras coletadas passarão por análises em escala microscópica, molecular e isotópica. Elas devem ampliar o conhecimento sobre a geologia de Marte, seu ambiente e as condições em que a vida pode ter se originado no planeta.

Missão ainda enfrenta desafios técnicos
O equipamento da sonda está na fase de desenvolvimento de protótipo. À emissora estatal China Central Television (CCTV), Hou afirmou que a missão avança bem, mas ainda enfrenta desafios técnicos, com equipes científicas de todo o país trabalhando juntas para superá-los.
O local de pouso ainda não foi escolhido. A China pretende defini-lo até o fim de 2026, com base em um novo mapa geológico completo de Marte. Os critérios de seleção incluem idade geológica do terreno, histórico de atividade de água, habitabilidade e potencial de preservação de bioassinaturas.
Outro desafio é a proteção planetária. A China vai construir um laboratório de proteção planetária na primeira fase da Cidade da Ciência do Espaço Profundo, em Hefei, sob responsabilidade do Laboratório de Exploração do Espaço Profundo (DSEL). O laboratório vai cuidar da esterilização, abertura, processamento e avaliação de risco biológico das amostras.
Li Hang, diretor do departamento de planejamento de desenvolvimento do DSEL, disse à Xinhua que a China vai seguir as políticas de proteção planetária do Comitê de Pesquisa Espacial para evitar contaminação biológica de Marte por organismos terrestres e proteger a Terra de eventuais formas de vida extraterrestres trazidas nas amostras.
Corrida espacial com os Estados Unidos
Enquanto a China avança com um cronograma definido, os planos da NASA para trazer amostras de Marte à Terra seguem incertos. Isso coloca o país asiático na liderança de um marco histórico da exploração espacial.
Scott Hubbard, ex-diretor do Centro de Pesquisa Ames da Nasa e ex-responsável pelos programas de Marte da agência americana, comparou o avanço chinês a um momento Sputnik ao site Space.com. Segundo ele, a China não vai apenas ganhar as manchetes, mas pode ser a primeira a encontrar evidências de vida em outro planeta.
Ainda assim, o próprio Hou reconheceu que o valor científico das amostras será irrecuperável independentemente do resultado da busca por vida.
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