Apophis poderá ser visto do Brasil em 2029
Asteroide passará dentro da órbita geoestacionária e bilhões poderão vê-lo a olho nu, sem risco de colisão.

O asteroide 99942 Apophis fará uma passagem muito próxima da Terra em 13 de abril de 2029. O objeto cruzará o céu sem risco de impacto e poderá entrar no campo de visão de bilhões de pessoas, inclusive no Brasil.
A estimativa mais recente indica que cerca de 7,6 bilhões de pessoas vivem em áreas onde o asteroide poderá aparecer a olho nu. Porém, a observação dependerá de nuvens, poluição luminosa e posição local no momento da passagem.
Um asteroide real, mas sem cena de filme
Apophis não parecerá um meteoro riscando o céu. Ele surgirá como um ponto de luz em deslocamento lento, mais parecido com um satélite discreto.
Ao Space, o astrônomo Rick Fienberg afirmou que o objeto “será definitivamente perceptível”. Ele explicou que Apophis cruzará o céu em horas, não em minutos.
No momento de maior aproximação aparente, o asteroide poderá avançar no céu cerca da largura aparente da Lua cheia por minuto.
Quando observar no horário de Brasília
Os mapas de visibilidade indicam uma janela aproximada de sete horas. A passagem começará sobre a Austrália por volta das 12h, no horário de Brasília, e terminará sobre o Atlântico Norte perto das 19h.
Às 17h35, Apophis atingirá seu maior brilho aparente sobre Camarões. Esse momento favorecerá observadores em partes da África, Ásia, leste da América do Sul e Europa.
Às 18h45, o asteroide fará sua maior aproximação da Terra. Ele passará a cerca de 31.600 quilômetros acima do Atlântico Norte, dentro da órbita dos satélites geoestacionários. Ele será visível no Brasil durante o anoitecer, principalmente na porção leste do país.
Veja no Mapa:

Essa distância impressiona porque satélites geoestacionários ficam mais longe, a cerca de 65 mil quilômetros de altura. Mesmo assim, Apophis não oferece risco de colisão.
Por que os cientistas estão tão interessados
O interesse científico é que a gravidade da Terra poderá alterar a órbita de Apophis ao redor do Sol.
Essa mesma força talvez provoque deslizamentos na superfície do asteroide. Ela também pode expor material antigo, preservado abaixo da camada externa mais desgastada.
Richard Binzel, professor de ciências planetárias no MIT, disse que “simplesmente não sabemos o que vai acontecer”. Para ele, Apophis pode passar quase sem mudança, ou revelar alterações significativas.
O medo de 2004 ficou para trás
Astrônomos encontraram Apophis em 2004. Os primeiros cálculos indicaram chance de impacto de 1 em 37 para 2029.
Novas observações refinaram a órbita e eliminaram a possibilidade de colisão naquele ano. A NASA também descartou ameaça de impacto por pelo menos o próximo século.
Observatórios nas Ilhas Canárias, na Espanha, estão entre os locais cotados para acompanhar a passagem. A posição no Atlântico favorece a visão da maior aproximação e pode oferecer boas condições de céu.
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