NASA mostra Andrômeda antes e depois do “Photoshop”
Foto com 223 exposições mostra rastros de aviões, satélites e raios cósmicos que softwares de astronomia reduzem para revelar a galáxia real

O Astronomy Picture of the Day (APOD) publicou uma foto da Galáxia de Andrômeda sem tratamento. A imagem crua mostra rastros de aviões, satélites e raios cósmicos.
A fotografia reúne 223 exposições de 300 segundos cada. O autor, o astrofotógrafo Kees Scherer, fez as tomadas em 2019, em um observatório instalado no jardim de uma casa em Portugal. Somadas, elas chegam a 18 horas e 35 minutos de luz acumulada sobre o mesmo ponto do céu.
A Galáxia de Andrômeda (ou M31) é a grande galáxia vizinha mais próxima da Via Láctea. A versão sem retoque mostra como ela aparece para uma câmera digital apontada através do céu movimentado da Terra.
A imagem bruta traz quatro tipos de defeito visíveis:
- Rastros paralelos e brilhantes de aviões.
- Trilhas longas e contínuas de satélites.
- Riscos curtos de raios cósmicos.
- Pixels defeituosos do sensor da câmera.

Programas de astronomia reduzem os defeitos da imagem
A limpeza da foto não passou pelo Photoshop. Segundo o APOD, o autor usou programas específicos de astronomia, o Astro Pixel Processor, DeepSkyStacker e PixInsight.
Essas ferramentas trabalham com empilhamento, técnica que sobrepõe várias fotos do mesmo alvo. O que aparece em todas as tomadas, como a galáxia, ganha força. O que surge em uma só, como a passagem de um avião, perde intensidade e pode sair do resultado final.
O autor da imagem descreve o céu atual como congestionado. Na legenda da foto, ele lista múons e raios gama entre os sinais que costuma retirar, junto com traços de partículas radioativas.
Múons são partículas subatômicas que nascem quando raios cósmicos colidem com a atmosfera terrestre. Elas atravessam o ar e chegam ao solo, onde podem atingir o sensor de uma câmera.
A versão exibida dispensou a rejeição estatística de valores discrepantes. Esse recurso compara as tomadas e descarta automaticamente os pixels fora do padrão. Por isso os rastros continuam à vista na comparação.

Tratar a astrofotografia não significa inventar a galáxia
De acordo com o APOD, o processamento serve para reduzir artefatos terrestres e instrumentais sem relação com a galáxia distante. O objetivo é chegar mais perto da aparência real de M31, e não criar uma fantasia digital.
A diferença está na origem de cada elemento. Aviões, satélites e partículas surgem entre a câmera e a galáxia, ou dentro do próprio equipamento. A luz que saiu de Andrômeda é a única informação que interessa ao registro.
A presença de tantos satélites em uma única sessão expõe um desafio atual para quem fotografa o céu a partir do solo. Cada trilha exige mais tomadas e mais processamento para separar o que pertence ao Universo do que pertence à órbita da Terra.
Sobre o Autor
0 Comentários