NASA define onde seu “drone” nuclear vai pousar em Titã
NASA conclui etapa da fiação elétrica da Dragonfly e a União Astronômica Internacional nomeia o campo de dunas onde a sonda vai pousar.

A equipe da sonda Dragonfly, da NASA, concluiu a instalação do chicote elétrico da espaçonave. A União Astronômica Internacional também oficializou o nome da área de pouso em Titã.
Chicote elétrico funciona como sistema nervoso da sonda
O trabalho aconteceu no laboratório do Johns Hopkins Applied Physics Laboratory (APL), nos EUA. A instituição projeta, constrói e vai operar a Dragonfly para a NASA. O chicote elétrico é o conjunto de cabos, fios e conectores que transmite energia e dados entre computadores, atuadores, sensores, instrumentos científicos e a bateria da sonda.
“O chicote não faz nada sozinho, mas é necessário para que tudo o resto funcione”, disse Jackie Perry, líder do chicote do módulo de pouso da Dragonfly no APL em comunicado. “É um equipamento crítico que existe só para servir o restante da sonda. Não conseguimos fazer nada sem ele.”

Como foi fabricado o cabeamento da Dragonfly
A Dragonfly passou pela revisão crítica de projeto em 2022. A fabricação do chicote começou no final de 2024 e terminou cerca de um ano depois. O fio é de cobre revestido de prata, isolado com um polímero resistente ao calor e envolto em alumínio, preso a conectores plásticos e metálicos.
“Depois que a estrutura de voo foi entregue e as unidades de interface remota e os sensores de temperatura foram instalados, conseguimos começar a montar o chicote”, afirmou Perry.
O ambiente de Titã impõe desafios específicos ao projeto. A Dragonfly usa um design do tipo garrafa térmica, isolado para reter o calor da fonte de energia nuclear e manter a sonda aquecida no frio extremo da lua de Saturno. Por isso, o chicote precisa passar sob uma camada espessa de espuma isolante na parte externa da sonda e acompanhar a circulação do ar quente dentro dela.
A alta demanda de energia da sonda exige fios calibre 4 e 8, medida em que quanto menor o número, mais grosso é o fio. Mesmo assim, o chicote precisa ser flexível o suficiente para passar por um interior compacto, que reúne o sistema de voo, caixas de instrumentos e uma bateria de quase 136 quilos.
A equipe do APL vai seguir conectando o chicote aos instrumentos científicos e a outros componentes de voo à medida que forem entregues para integração e novos testes. O lançamento da Dragonfly está previsto para 2028, com chegada a Titã no final de 2034.

Área de pouso em Titã recebe nome oficial
A União Astronômica Internacional, entidade responsável pela nomeação oficial de acidentes geográficos no espaço, aprovou o nome “Ahmakiq Undae” para o grande campo de dunas onde a Dragonfly vai pousar.
Na tradição maia, as pessoas invocavam o espírito Ahmakiq, pronunciado “ah-mahk-eek”, para deter ventos fortes que danificavam plantações. O nome significa literalmente “aquele que tranca o vento” e segue a convenção da entidade de batizar campos de dunas (ou undae em latim) com nomes de divindades ligadas ao vento. A equipe da Dragonfly escolheu Ahmakiq em uma lista de sugestões da própria União Astronômica Internacional.
A região reúne dunas e áreas entre dunas ao sul da cratera Selk, estendendo-se até a borda de uma cadeia de morros ou montanhas.
O que a missão vai estudar em Selk Crater
Depois de pousar, a Dragonfly vai cumprir uma missão principal de 3,3 anos, explorando ambientes que vão de dunas orgânicas a depósitos ligados à cratera Selk. Nesse ponto de Titã, água líquida e materiais orgânicos complexos, ingredientes-chave para a vida, existiram lado a lado no passado.
Análises científicas indicam que o impacto que formou a cratera Selk derreteu o gelo subterrâneo da região. Isso pode ter criado uma grande poça temporária, capaz de permanecer líquida por centenas a milhares de anos sob uma camada de gelo isolante, de forma parecida com lagoas congeladas no inverno em regiões frias da Terra.
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