Rover lunar da NASA pode custar R$ 6,7 bilhões
Estudo estima custo para adaptar rover marciano à Lua, enquanto a NASA rejeita a projeção.

A NASA avalia transformar um modelo de engenharia do rover Perseverance em um veículo para explorar o polo sul da Lua. Porém, uma análise calcula que o projeto pode custar entre US$ 723 milhões e US$ 1,33 bilhão (entre R$ 3,7 bilhões e R$ 6,7 bilhões na cotação atual).
O valor inclui desenvolvimento, lançamento e um ano de operações lunares. O rover, chamado PROMISE, talvez só fique pronto no início da década de 2030.
Hardware existente não significa missão pronta
A NASA apresentou o PROMISE em 30 de junho de 2026. O nome significa, na sigla em inglês, Rover Polar para Observação, Mapeamento e Exploração no Local.
Jared Isaacman, administrador da agência, defendeu o reaproveitamento de equipamentos que os contribuintes já financiaram. Ele afirmou que o rover poderia ampliar rapidamente a capacidade científica no polo sul lunar. Assista:
O conceito parte do OPTIMISM, modelo terrestre que apoia as operações do Perseverance e ajuda a investigar problemas técnicos. A NASA mantém modelos semelhantes ligados ao Curiosity.
Esses veículos permitem que as equipes testem comandos antes de enviá-los a Marte. Retirar o OPTIMISM dessa função poderia elevar os riscos das duas missões marcianas.
Adaptação exigiria novos sistemas
A Planetary Society publicou sua estimativa na última semana. Casey Dreier, chefe de política espacial da organização, analisou custos históricos e exigências técnicas.
O OPTIMISM não possui vários componentes adequados para o espaço. Entre as ausências estão um sistema de comunicação e instrumentos científicos prontos para voo.
A fonte de energia também representa um obstáculo. O Perseverance usa um RTG (sigla em inglês para Gerador Termoelétrico de Radioisótopos). A NASA possui apenas um RTG reserva que poderia alimentar o PROMISE. Seu uso exigiria aprovação, mudanças no módulo de pouso e certificação do foguete.
“Não existe uma versão plausível desta missão que seja gratuita”, concluiu Dreier. Para ele, até a projeção mínima equivale a uma missão planetária de médio porte.
NASA contesta custo bilionário
De acordo com o SpaceNews, Isaacman rejeitou a estimativa em uma publicação de 31 de julho. Ele afirmou que a NASA não lançará o PROMISE caso a adaptação alcance 20% do valor mínimo da análise.
O administrador também citou o plutônio-238 que a agência mantém para alimentar o RTG. Esse material perde cerca de 2% de seu potencial por ano.
O uso do gerador no PROMISE impediria uma missão ao Sistema Solar exterior no futuro previsível. Algumas propostas do programa New Frontiers também podem precisar dessa fonte nuclear.
Além disso, problemas orçamentários adiaram a próxima seleção do programa para o ano fiscal de 2027. A NASA ainda avalia quais missões poderão concorrer e se haverá energia nuclear disponível.
Na prática, reaproveitar hardware pode reduzir algumas etapas, mas não elimina sistemas, testes, lançamento e operação necessários para chegar à Lua.
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