Estudo aponta o tamanho mínimo para um planeta ter vida
Modelo indica que mundos rochosos precisam ter ao menos 80% do raio da Terra para manter atmosfera por mais de 1 bilhão de anos.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Riverside, nos EUA criaram um modelo para estimar o menor tamanho de um planeta rochoso para ele ser potencialmente habitável. O estudo, disponível no ArXiv, ajuda a escolher quais exoplanetas merecem prioridade na busca por vida.
Astrônomos encontraram mais de 6.000 mundos fora do Sistema Solar. Destes, cerca de 40 parecem rochosos, têm tamanho próximo ao da Terra e orbitam na zona habitável.
O problema não é só estar na zona habitável
A zona habitável indica onde a água líquida poderia existir na superfície. Porém, ela não garante atmosfera, clima estável ou vida.
Um planeta pequeno enfrenta duas dificuldades. Sua gravidade segura gases com menos força, o que facilita a fuga da atmosfera para o espaço.
Esse risco cresce nos primeiros momentos da estrela. Nessa fase, a radiação ultravioleta fica mais intensa e arranca partículas da atmosfera com mais facilidade.
Planetas menores também esfriam mais rápido. Com o interior frio, o vulcanismo perde força e deixa de repor gases vindos do manto.
O truque foi simular planetas menores que a Terra
De acordo com a Sky at Night Magazine, Michelle Hill e sua equipe desenvolveram o “Modelo de Habitabilidade para Corpos Menores que a Terra” (ou STEHM na sigla em inglês). O modelo calcula como planetas pequenos perdem ou repõem gases ao longo do tempo.
A equipe simulou mundos parecidos com a Terra ao redor de uma estrela semelhante ao Sol. Primeiro, usou um planeta com 1 raio terrestre.
Depois, reduziu o tamanho em etapas até 0,5 raio terrestre. Essa escala permite testar onde a atmosfera deixa de resistir por tempo suficiente.
O limite encontrado ficou em 0,8 raio terrestre
O modelo indicou que um planeta rochoso, com crosta em “tampa estagnada”, precisaria ter pelo menos 0,8 raio terrestre.
“Tampa estagnada” descreve uma crosta rígida, sem placas tectônicas ativas como as da Terra. Vênus e Marte entram nesse tipo de comparação.
Com 0,8 raio terrestre, o planeta manteria atmosfera por mais de 1 bilhão de anos. O cenário considera uma estrela semelhante ao Sol à distância da Terra.
O menor caso testado, com 0,5 raio terrestre, perdeu a atmosfera em apenas 30 milhões de anos. Para a vida, esse prazo tende a ser curto demais.
Alguns mundos podem ganhar uma segunda chance
O caso de 0,7 raio terrestre chamou atenção. Um planeta com este tamanho perde a atmosfera nos primeiros 600 milhões de anos.
Depois, recuperou uma camada fina de gases por meio de atividade vulcânica contínua. Isso ocorreu quando a estrela já tinha reduzido sua atividade inicial.
Essa segunda atmosfera voltou a desaparecer quando a emissão vulcânica caiu. O cenário sugere mundos de “segunda chance”, menores que o limite mais seguro.
Esses planetas só interessam se preservaram água na fase sem ar. Depósitos de gelo subterrâneo poderiam manter parte desse inventário.
Como isso muda a busca por vida
Telescópios espaciais têm tempo limitado. Priorizar mundos acima de 0,8 raio terrestre aumenta a chance de encontrar atmosferas detectáveis.
O estudo não fecha a porta para planetas menores, porém, cria uma lista mais realista para procurar sinais biológicos, sem tratar todo mundo rochoso como candidato igual para a vida.
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