Novo planeta perto da Terra reacende busca por mundos habitáveis

GJ 3378b fica a 25 anos-luz, recebe 90% da radiação da Terra e pode ajudar a refinar a busca por vida fora do Sistema Solar.

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Concepção artística da visão da superfície do exoplaneta GJ 3378b da zona habitável GJ 3378b. Imagem: Nikolai Berman / UC Irvine
Concepção artística da visão da superfície do exoplaneta GJ 3378b da zona habitável GJ 3378b. Imagem: Nikolai Berman / UC Irvine

Astrônomos da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA, identificaram um novo exoplaneta parecido com a Terra a 25 anos-luz do Sistema Solar. Chamado GJ 3378b, ele fica na zona habitável de sua estrela, onde a água líquida pode existir na superfície.

A descoberta, publicada no The Astrophysical Journal, amplia a lista de mundos próximos com potencial para abrigar condições favoráveis à vida. O planeta tem cerca de duas vezes o tamanho da Terra e recebe 90% da radiação que nosso planeta recebe do Sol.

Um vizinho cósmico em escala galáctica

Vinte e cinco anos-luz parecem muita coisa para nossa rotina. Porém, na escala da Via Láctea, que mede cerca de 100 mil anos-luz, essa distância coloca GJ 3378b na vizinhança.

Paul Robertson, professor associado de astronomia da UC Irvine, tratou o achado como um alvo próximo. “É um dos nossos vizinhos cósmicos mais próximos”, afirmou.

GJ 3378b entra na categoria das super-Terras. O termo descreve planetas maiores que a Terra, mas menores que gigantes como Netuno.

Isso não significa que o planeta tenha oceanos, florestas ou vida. Significa que ele reúne condições orbitais que justificam uma investigação mais profunda.

A zona habitável não prova vida

A zona habitável marca a região ao redor de uma estrela onde a temperatura permite água líquida. Essa faixa depende da energia recebida pelo planeta.

Robertson disse que GJ 3378b recebe cerca de 90% da radiação que a Terra recebe do Sol. Segundo ele, o planeta fica em uma região favorável.

A equipe encontrou o planeta com dois instrumentos. Um deles foi o Buscador de Planetas na Zona Habitável, no telescópio Hobby-Eberly, do Observatório McDonald, localizado nos EUA.

O outro foi o espectrômetro NEID, instalado no telescópio WIYN, no Observatório Nacional Kitt Peak, também nos EUA.

A grande pergunta está na atmosfera

Por enquanto, os astrônomos não sabem se GJ 3378b tem uma camada gasosa ao seu redor.

O planeta fica perto da chamada linha costeira cósmica. Essa região separa mundos que preservam atmosfera de planetas onde a radiação estelar pode arrancá-la.

Marte é um exemplo. Astrônomos consideram que ele pode ter tido uma atmosfera parecida com a da Terra no passado.

Robertson comparou a atmosfera terrestre à casca de uma maçã. Se a Terra tivesse o tamanho da fruta, essa camada teria espessura parecida com a casca.

Essa película fina sustenta pressão para água líquida, ajuda a proteger contra radiação espacial e permite ar respirável na Terra.

Próxima etapa depende de novos telescópios

A resposta sobre GJ 3378b deve esperar observatórios futuros. O Habitable Worlds Observatory, planejado pela NASA para a década de 2040, poderá observar planetas desse tipo.

Esse telescópio deve ajudar a confirmar se mundos como GJ 3378b têm atmosfera. Caso tenham, astrônomos poderão procurar compostos químicos ligados a processos biológicos.

Gogod James, estudante da UC Irvine, explicou que uma atmosfera adequada justifica novas buscas por bioassinaturas, água líquida e sinais de vida.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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