NASA encontra planeta de um jeito que ninguém esperava
O TESS identificou um super-Júpiter por microlente gravitacional, método que pode revelar planetas ocultos em oito anos de dados.

O TESS, satélite da NASA criado para caçar exoplanetas por trânsitos, identificou um planeta por outro caminho. O mundo Gaia23bra b apareceu pela deformação do espaço-tempo causada por sua estrela e pelo próprio planeta.
A descoberta, publicada no The Astrophysical Journal Letters, é importante porque o TESS acumula quase oito anos de observações. Parte desse arquivo pode esconder planetas distantes de suas estrelas, que o método tradicional da missão dificilmente detectaria.
Um planeta visto pela luz de outra estrela
Astrônomos perceberam o evento Gaia23bra b em 2023, com dados do telescópio espacial Gaia, da ESA (Agência Espacial Europeia). Depois, a equipe voltou aos arquivos do TESS e encontrou o mesmo fenômeno.
A diferença está no tipo de sinal. O TESS costuma encontrar planetas quando eles passam na frente de suas estrelas e reduzem o brilho observado.
Gaia23bra b fez o contrário. O sistema ampliou a luz de uma estrela mais distante, situada ao fundo.
Isso ocorreu porque a massa da estrela mais próxima curvou a luz da estrela distante. O planeta também alterou esse brilho, como uma lente menor.
Esse efeito recebe o nome de microlente gravitacional. Ele acontece quando dois sistemas ficam quase alinhados no céu a partir da nossa visão.
O que o TESS revelou
A análise indica que Gaia23bra b tem cerca de 1,63 vez a massa de Júpiter.
O planeta orbita uma anã laranja com cerca de 80% da massa do Sol. Sua distância orbital lembra a de Júpiter em relação ao Sol.
Esse tipo de planeta escapa do método de trânsito com frequência. Planetas distantes têm menor chance de cruzar a face da estrela vista da Terra.
De acordo com o Phys, Mallory Harris, primeira autora do estudo, afirmou que Gaia tinha observações espaçadas demais para revelar o planeta. O TESS observou a região com cadência maior.
O satélite registrou o campo a cada 200 segundos durante quase 60 dias. Esse ritmo mostrou detalhes sutis na curva de luz.
Por que isso muda a busca por exoplanetas
Dos mais de 6.000 exoplanetas conhecidos, cerca de três quartos vieram pelo método de trânsito. A microlente gravitacional revelou menos de 5% deles.
A vantagem da microlente está no tipo de planeta que ela encontra. Ela favorece mundos em órbitas parecidas com a da Terra ou mais distantes.
“Com microlente, podemos encontrar planetas menores em órbitas maiores”, disse Harris. Isso inclui mundos em zonas habitáveis e regiões ainda mais afastadas.
Diana Dragomir, da Universidade do Novo México, nos EUA afirmou que ninguém esperava esse uso do TESS no lançamento da missão.
O limite dessa técnica
Eventos de microlente não se repetem. Quando o alinhamento passa, o sinal desaparece.
Harris brincou que talvez a primeira Terra análoga surja por microlente e depois suma da nossa vista. Essa limitação dificulta observações detalhadas.
Ainda assim, a técnica ajuda a medir massas e distâncias orbitais de planetas que outros métodos não veriam.
O próximo passo está no Nancy Grace Roman
A descoberta também serve como teste para o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman. O lançamento segue previsto para o segundo semestre de 2026.
O Nancy Grace Roman deve observar o centro da galáxia e encontrar cerca de 1.000 planetas por microlente. A expectativa também inclui cerca de 100.000 planetas por trânsito.
Para Dragomir, o TESS pode procurar planetas por microlente em outras partes do plano galáctico. Isso ajudaria a comparar sistemas planetários formados em ambientes distintos.
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