Casa Branca chama Avi Loeb para liderar grupo sobre OVNIs
Astrofísico lidera painel sobre fenômenos aéreos não identificados, mas diz partir da hipótese de que os objetos têm origem humana

A Casa Branca anunciou um novo painel científico sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs, na sigla em inglês). O grupo, liderado pelo astrofísico israelita-estadunidense Avi Loeb, já pediu vídeos, imagens e documentos ao Pentágono, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
A ideia do grupo não está em provar visitas alienígenas. Loeb afirmou que começa o trabalho assumindo que os objetos têm origem humana, dentro de uma abordagem de segurança nacional.
O painel quer entender objetos que o governo não explica
Loeb é cosmólogo da Universidade Harvard, nos EUA, e já chefiou o departamento de astronomia da instituição. Ele ganhou projeção por defender hipóteses pouco convencionais sobre possíveis sinais de tecnologia extraterrestre no Sistema Solar.
Agora, ele lidera um comitê científico que se reúne em privado e deve entregar conclusões à Casa Branca. O governo também iniciou a abertura de arquivos sobre OVNIS, com três divulgações públicas de materiais antes classificados no site do Pentágono.
“Minha impressão é que o governo está perplexo por não conseguir inferir a natureza de alguns desses objetos”, afirmou Loeb ao The Guardian.
Ele disse ver a nomeação como chance de aproximar ciência e governo. “Em um momento em que a ciência não é tão celebrada, esta é uma oportunidade de fazer algo bom para todos os lados envolvidos.”
A hipótese inicial é menos alienígena
Apesar da fama de “caçador de alienígenas”, Loeb declarou que parte de uma explicação terrestre.
A pergunta prática passa a ser se alguns UAPs podem envolver drones, aeronaves, sensores, falhas de observação, tecnologias militares ou atividades de outros países.
Isso porque fenômenos aéreos sem identificação podem representar risco para bases, aeronaves e operações militares, mesmo sem qualquer origem extraterrestre.
A escolha de Loeb divide cientistas
A liderança do painel provoca críticas. Alguns especialistas veem a presença de Loeb como problemática por causa de suas hipóteses anteriores sobre vida alienígena e objetos interestelares.
Steve Desch, professor de astrofísica na Universidade do Estado do Arizona, nos EUA, criticou a escolha. “Não sei o que vai sair disso, mas não vamos chegar mais perto de responder a essas perguntas com ele no comando”, disse.
Loeb já rebateu críticas acadêmicas em entrevistas anteriores. Para ele, parte da resistência reflete hostilidade contra ideias fora do padrão.
O grupo reúne nomes controversos
O painel também inclui Timothy Gallaudet, contra-almirante aposentado da Marinha dos EUA. Ele já afirmou que inteligências não humanas associadas a OVNIs são reais.
Gallaudet também declarou ao Congresso, em 2024, que informações sobre UAPs ficam fora do alcance de autoridades e parlamentares.
Outro integrante é Ben Lamm, empresário ligado a projetos de genética voltados a animais extintos. Ele também tentou encontrar OVNIs usando satélites apontados para a Terra.
O que ainda falta saber
Críticos temem que o grupo tenha acesso a materiais sensíveis do Pentágono sem experiência suficiente em segurança nacional.
Sean Kirkpatrick, físico que já investigou UAPs no Pentágono, afirmou que Loeb não tem boa imagem em parte da comunidade científica e carece de experiência na área.
O interesse público, porém, segue alto. Uma pesquisa CBS News/YouGov publicada no mês passado indicou que 80% dos entrevistados acreditam que o governo sabe mais do que conta sobre vida extraterrestre.
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