NASA gasta US$ 5,9 bi em peças da Artemis que nunca vão voar
Auditoria mostra como atrasos, custos e nova arquitetura lunar levaram a NASA a interromper hardware do Artemis.

A NASA interrompeu projetos do programa Artemis que já consumiam US$ 5,9 bilhões em hardware lunar. A decisão aparece em uma auditoria recém-divulgada e marca uma mudança no plano de retorno humano à Lua dos Estados Unidos.
O caso também mostra o custo real de alterar uma arquitetura espacial durante sua execução. Peças pensadas para missões futuras perderam função quando a agência mudou prioridades, prazos e estratégia.
O programa Artemis mudou de rota
A nova arquitetura da NASA deslocou o primeiro pouso lunar tripulado do Artemis 3 para o Artemis 4. A agência também eliminou versões mais avançadas do foguete Sistema de Lançamento Espacial (o SLS na sigla em inglês).
A revisão atingiu a estação Gateway, planejada para operar em órbita lunar. A NASA decidiu cancelar esse posto avançado e concentrar recursos na presença de longo prazo na superfície da Lua.
Essa mudança deixou grandes projetos sem missão definida. A lista inclui o Exploration Upper Stage, o Universal Stage Adapter, o Mobile Launcher 2 e o módulo habitável HALO.
A estimativa inicial desses contratos chegava a cerca de US$ 2,9 bilhões. Antes da interrupção, os gastos acumulados subiram para US$ 5,9 bilhões.
O estágio da Boeing virou símbolo do atraso

De acordo com o Daily Galaxy, o caso mais visível envolve o Exploration Upper Stage, da Boeing. Esse estágio ampliaria a capacidade de carga de versões futuras do SLS.
A NASA incluiu o projeto no contrato da Boeing em 2017. O valor inicial era de US$ 962 milhões, com entrega prevista para março de 2021.
Quando a agência emitiu a ordem de paralisação em 2026, o gasto já chegava a quase US$ 2 bilhões. A Boeing projetava custo final perto de US$ 3,7 bilhões.
O cronograma atrasou cerca de sete anos e meio. A auditoria citou mudanças de prioridade, problemas de cadeia de suprimentos, requisitos em evolução e desempenho contratual.
A análise registrou “cronogramas de produção irreais” e “falta de um plano claro de melhoria” no projeto do estágio.
Até a infraestrutura ficou difícil de controlar
O Mobile Launcher 2 também entrou no centro da crítica. A estrutura serviria para apoiar lançamentos das versões mais pesadas do SLS.
A auditoria apontou problemas na gestão da Bechtel, contratada do projeto. Entraram na lista uso limitado da experiência da NASA, falhas no acompanhamento de riscos e dificuldade com o peso do lançador.
O relatório também citou ausência de um sistema certificado de gestão de valor agregado. Esse tipo de controle mede custo, cronograma e desempenho em projetos complexos.
Gateway perdeu o módulo habitável
O cancelamento da estação espacial Gateway interrompeu o módulo HALO, da Northrop Grumman, com participação relevante da francesa Thales Alenia Space. O contrato começou em 2019, com US$ 187 milhões.
Modificações sucessivas elevaram os gastos para cerca de US$ 1,9 bilhão. Após a chegada do módulo aos Estados Unidos, engenheiros encontraram corrosão ampla.
A auditoria atribuiu parte dos problemas à pressão por cumprir metas agressivas do Artemis. O documento citou “falta de realismo de cronograma” e risco de decisões técnicas inadequadas.
A aposta agora é simplificar
A NASA defende que a nova estratégia evita estouros maiores no futuro. A agência afirma que o modelo anterior poderia levar a custos ainda mais altos e novos atrasos.
Em resposta, a NASA citou princípios de “disciplina, custo acessível, simplificação e velocidade”. A prova virá com o Artemis 4, previsto para 2028.
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