Explosões estelares violentas podem favorecer vida alienígena

Estudo sugere que erupções de estrelas pequenas podem ampliar a região onde a radiação ultravioleta ajuda reações químicas ligadas à origem da vida.

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Ilustração de uma estrela anã disparando explosões intensas que está afetando a atmosfera de um planeta próximo.
Ilustração de uma estrela anã disparando explosões intensas que está afetando a atmosfera de um planeta próximo. Imagem: Wikimedia Commons

Erupções violentas de estrelas pequenas podem não representar apenas uma ameaça para planetas rochosos. Um estudo publicado na revista The Innovation sugere que esses surtos de radiação também podem ampliar uma região favorável à química da vida.

Quando uma estrela perigosa pode ajudar

Estrelas pequenas e de baixa massa, como as anãs vermelhas, costumam lançar erupções poderosas ao espaço. Essas explosões liberam ondas de radiação que podem atingir planetas próximos.

Durante muito tempo, cientistas viram esse comportamento como um problema para mundos com chance de vida. Se o planeta orbita perto demais, a radiação e o vento estelar podem desgastar sua atmosfera.

O novo estudo propõe uma virada interessante. Em certas condições, essas mesmas erupções podem fornecer radiação ultravioleta suficiente para favorecer reações químicas iniciais ligadas à vida.

Existem duas zonas habitáveis

Quando se fala em zona habitável, muita gente pensa apenas na faixa ao redor de uma estrela onde a água líquida pode existir. Essa é a definição mais conhecida.

Mas os pesquisadores também analisaram a chamada “zona habitável ultravioleta”. Ela representa a região onde há radiação ultravioleta suficiente para impulsionar química prebiótica, sem destruir moléculas importantes como o DNA.

Ou seja, uma zona fala da temperatura certa para a água. A outra fala da energia certa para acender certas reações químicas.

O ponto central do estudo é que erupções estelares podem expandir essa segunda zona. Em alguns casos, ela pode coincidir com a região onde a água líquida teria condições de existir.

O estudo analisou nove exoplanetas

Os pesquisadores aplicaram o modelo a nove exoplanetas. O grupo incluiu oito planetas rochosos e um planeta do tipo Netuno.

Todos orbitam estrelas dos tipos M ou K. As estrelas do tipo M incluem as anãs vermelhas, que representam cerca de 70% das estrelas da Via Láctea. As do tipo K são anãs laranjas de baixa massa.

O sistema TRAPPIST-1 aparece como um exemplo importante desse tipo de ambiente. Ele possui sete planetas rochosos, com tamanho próximo ao da Terra. Três orbitam na zona habitável de água líquida.

Três mundos chamaram atenção

O estudo identificou três planetas dentro das duas zonas habitáveis: KOI-8012.01, KOI-8047.01 e KOI-7703.01.

Isso não significa que eles tenham vida. Também não prova que sejam habitáveis. Mas indica que esses mundos ficam em uma região onde água líquida e radiação útil à química prebiótica poderiam coexistir.

Isso porque a habitabilidade ainda depende de vários fatores. A lista inclui água, temperatura, geologia ativa, composição interna e atmosfera.

Mesmo assim, o resultado amplia o mapa de busca por planetas promissores. As erupções de estrelas pequenas continuam perigosas, mas talvez não sejam apenas vilãs.

Em alguns mundos, elas podem funcionar como uma faísca química no momento certo.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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